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Utensílios de Cutelaria para seu RPG

Quando você não sabe cozinhar, e quer aprender, você olha receitas, programas de TV e Youtube, vê seu cunhado cozinhando aquela massa que você adora, e uma hora pensa: Ok, vou fazer. Você se mune de uma lista de compras (tiradas de uma receita encontrada na internet que pareceu saborosa), vai ao mercado, pega o que consegue achar (como assim vocês não tem “molho grego de frutas vermelhas?”, vou pegar Ketchup mesmo), e por fim, após uma guerra nas panelas, algo sai. As vezes ficou bom, outras você acertou muito bem, e várias, e digo, VÁRIAS vezes, ficou ó: Uma merda.

Pois é, é assim mesmo. Eu recordo quando meu pai resolveu começar a “cozinhar”. Ele fez uma massa com vinho que deixou a gente enjoado e bêbado.Eu passei muito mal aquela noite.

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Mas ele não desistiu (eu quase desisti, mas pai é pai). Na 3-4ª vez, ele conseguiu acertar a “massa com vinho”. E ficou perfeita, certinho com a receita. Mas na real, ele não parou por ai. Seguir a “receita de bolo” te ajuda muito no inicio. Mas logo que você faz aquela receita perfeitamente, um bom cozinheiro parte para fazer a “Sua receita”. Ele troca alguns itens, muda um procedimento ou outro, e tenta fazer “do seu jeito”. Acho que meu pai masterizou sua “Massa com Vinho” pela 8ª vez que a fez. Óbvio, antes disso ele ainda aprendeu a fazer risoto com funghi, diversos molhos para comer com o churrasco de final de semana, e muitas outras coisas. Muitas “receitas de bolo” que ele foi aprimorando, uma a uma.

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O engraçado é que quanto mais coisas diferentes ele aprendia, melhor ficava os outros pratos. Pois é. Uma coisa interessante é que a experiência na cozinha com diversos pratos diferentes auxiliavam a ele entender seus próprios pratos e ver modos diferentes de criar outros. Uma técnica nova para um molho agridoce sem cozinhar, fazer batata no microondas ao invés da panela, usar Shoyo junto com cebola doce, a diferença de uma panela de cobre de uma de ferro no cozimento e gosto e diversas outras coisas.  Cada coisa nova que ele aprendia ele pensava em como utilizar aquilo em outro prato.

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Outra coisa interessante é que ele sempre soube o que queria fazer. Quando ele disse “Vou fazer um risoto com funghi”, ele fazia Risoto com Funghi. Ele nunca juntou ingredientes, começou a cozinhar e na metade disse “Ah, melhor, vou fazer um Arroz com galinha”. Ele tinha um objetivo. Uma vez, ele quando foi no mercado viu que não tinha Funghi bom e resolveu mudar toda a receita. Escolheu outros ingredientes, e aquela noite comemos salmão com aspargos. Mas no momento que ele trocou os ingredientes, ele sabia o que sairia no final.

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Da mesma forma, eu nunca vi a cozinha suja na hora da janta. Ele ia usando ingredientes e utensílios e já ia limpando o que podia. Ele sabia que poderia deixar tudo arrumado até o final porque ele tinha um planejamento. Ele sabia a hora de deixar a panela cozinhando 20 minutos e nesses 20 minutos ele lavava todas as coisas que ele sabia que não ia ocupar e guardar nos seus lugares. A cozinha poderia estar uma zona, mas terminava intacta. Até hoje isso é algo que estou aprendendo a fazer…

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Fazer o Design de um Jogo pode ser comparado a cozinhar. Requer saber o que você quer fazer, encontrar os melhores ingredientes, utilizar os utensílios de cozinha corretamente e por fim entregar um prato pronto para as pessoas saborearem.

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Mas não é só isso. É necessário saber vários pratos, conhecer ingredientes, saber métodos de cozinhar. E saber O QUE você quer colocar na mesa para que os outros saboreiem. Se você souber qual experiência quer levar para a mesa de jogo, e conseguir pensar em métodos, ingredientes e como entregar isso, você está aprendendo a cozinhar.  Por isso, não se prenda em um sistema, um cenário, um método.

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Eu lembro muito bem do primeiro “RPG” que criei. Eu jogava OD&D (o velho D&Dzinho) já fazia um bom tempo e um dia li uma matéria do jogo Shadowrun (aquele do Snes) em uma revista de videogames – Se não me engano, foi Marcelo Cassaro que a escreveu na época. Minha cabeça ficou a mil, e tive várias idéias para fazer um jogo “cyberpunk”, o qual chamei “Shadows in the Night” (Não me julguem) . Sabe o que diferenciava ele de OD&D? Ele tinha um Thac0 e AC para armas de fogo. Ele tinha ninjas. E pistoleiros… e era uma droga.

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Assim, se você quiser fazer Game Design, conheça sistemas. Teste suas idéias. Faça com que tudo que exista no jogo seja voltado à experiência que você quer passar.

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 E algo importante. Ouça quem está comendo. Se um convidado diz que seu frango está muito forte de pimenta, e outro diz que está bom de pimenta – mas ele adora pimenta, você percebe que sua receita de frango apimentado vai ser gostoso pra quem gosta de pimenta. Se esse não era seu objetivo, reduza a pimenta. Ou avise que o seu prato é pra quem gosta de pimenta. Você não vai agradar todo mundo. Isso é um fato. Mesmo assim, não esqueça do seu objetivo. Se todo mundo amou o frango com muita pimenta, mas você não queria tão apimentado, volte e refaça sua receita. O que importa é a experiência que você quer passar e não agradar a todos que estão na mesa.

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E por fim, guarde no armário os ingredientes que não vai usar e limpe as panelas que não vai usar mais. Isto é necessário para limpar a cabeça e focar no prato que você está fazendo.

 

Bora cozinhar!

About the author: Fabiano Saccol

Nome: Fabiano Saccol Alias: Chikago Idade: 39 Cabelos: grisalhos(ui) barba: grisalha (uix2) altura: 1,77 peso: não te interessa, mas 105 Começou jogando RPG aos 13 anos, D&D basic. Viciou em Gurps e vampiro nos anos 90, mas aprendeu que a politica brasileira é pior que um conclave, portanto largou vampiro. Jogou basicamente tudo que foi lançado desde 1990 até 2010. Começou a pensar em fazer RPG em 2010, e hoje é pira doida de jogos analógicos boardgamisticos. Adora jogos simulacionistas, boardgames euro com roupagem bonita e cerveja artesanal.

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