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Concursos de game design importam, sim

 

Concurseiros de jogos analógicos, uni-vos!

Você já sabe que o sistema importa, o design importa, a experiência importa, até a discussão sobre RPG e jogos afins importa. Mas talvez você ainda não tenha se dado conta é da importância de desafios e concursos de construção de jogos! Não é exagero dizer que a prolífica comunidade independente brasileira consolidou-se ao redor de propostas do gênero, especialmente o Faça Você Mesmo e o Game Chef Brasil (assim de cabeça, ainda tivemos o RPGênesis, Orquestra dos Jogos…). Enquanto o FVM permitiu a publicação de jogos já clássicos do repertório indie nacional, como Abismo Infinito, o Game Chef levou ao reconhecimento internacional da nossa produção, com a premiação de Pulse.

Mas além de prêmios e publicações, este tipo de concurso – a despeito do elemento competitivo intrínseco – conseguiu reunir pessoas de todo o país interessadas em pensar RPG e jogos narrativos, testar as criações alheias, oferecer feedback, e até iniciar a construção de diálogos mais formais, como toda a experiência do Laboratório de Jogos. Amizades e relações de trabalho foram construídas a partir de encontros tecidos no decorrer dos concursos, pois mecanismos de avaliação pelos próprios pares estavam no cerne das regras de muitos deles, permitindo um saudável compartilhamento de ideias.

De repente, aquelas pessoas e pequenos núcleos de rolistas e designers, ainda que muitas vezes isolados geograficamente, encontraram nos concursos pontos de convergência de interesses, verdadeiros faróis guiando a vanguarda no mar revolto de jogos tradicionais. Sim, existe vida além de D&D, basta preencher esse cadastro e estar disposto e analisar alguns jogos doidões…

É claro que nem tudo foram flores (ou rolagens bem-sucedidas) no mundo dos concursos de design, mas o saldo da experiência é indubitavelmente positivo. O surgimento de novos autores, editoras, discussões teóricas e encontros presenciais certamente suplanta dificuldades encontradas na criação e manutenção dos desafios. Até mesmo um discurso comum temos conseguido forjar no esteio dos concursos, tentando criar nosso próprio vocabulário prático e teórico.

Atualmente, com uma comunidade mais madura e muitos jogos independentes e inovadores traduzidos ou produzidos aqui mesmo, fica fácil notar o alto nível dos concorrentes nos concursos, mas ainda assim a participação de amadores (como eu) é incentivada. E eu posso garantir: o feedback dos companheiros é uma das coisas mais valiosas que podemos receber.

Portanto, fica a dica: sempre que tiver oportunidade, participe de um concurso de criação de jogos. Eles ajudam a manter a comunidade viva e não deixam a revolução esfriar…

About the author: Livia von Sucro

Psiquiatra por formação, filósofa em graduação, rpgista de coração, péssima com rimas.

3 comments to “Concursos de game design importam, sim”

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  1. Wagner Zamburi - outubro 25, 2016 at 2:02 am Reply

    o mais legal é desses concursos é a pegada ‘experimentar/ver onde vau dar’… assim de tudo, são um puta exercício de desing

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