Avaliações – viÆgóica de Caue Reigota, Francisco Alves e Tadeu Rodrigues

Larp onde a tripulação de uma nave, numa missão de natureza e local variáveis (Galáxia), teve suas memórias embaralhadas. Todos lembram de tudo anterior a viagem, impossibilitando definir quem é quem (Identidade). As memórias são acessadas a partir das emoções dos jogadores (Os limites são tênues).

Avaliações da Fase 2

Avaliação por Livia Von Sucro

  • O jogo é capaz de transmitir a experiência a que se propõe? As regras atuam no sentido de proporcionar a experiência proposta? Creio que a proposta de memórias e identidades embaralhadas, atrapalhadas pelos limites tênues que fazem confluir as mentes dos jogadores, consegue ser muito bem expressa nas mecânicas. Um trabalho preciso, coeso, e muito elegante. (3.0 de 3.0)
  • Quão completo é o jogo: o jogo enviado funciona sozinho, com todos os elementos para uma sessão de teste? É um larp completo, pronto para ser jogado. (3.0 de 3.0)
  • O jogo incorpora de maneira concreta e substancial os temas escolhidos? Sim, de modo muito sofisticado, ainda que objetivo; e engajado sem ser doutrinário. (3.0 de 3.0)
    1. Se a autora optou por usar uma das metas alternativas de design, ela conseguiu executá-la satisfatoriamente? Sim, a meta foi incorporada com precisão, é quase o coração do larp.

O instigante larp dos autores não esconde suas influências, tampouco permite que elas roubem a cena. Formatado de modo simples e intuitivo, me parece um excelente jogo para iniciantes, sem desagradar veteranos. Os autores abraçaram a questão da diversidade de modo engenhoso, extrapolando suas próprias identidades e desaguando numa mecânica elegante e fluida de elaboração de personagens heterogêneos. Nada soa pretensioso ou fake, mas genuinamente interessado em abraçar a alteridade.

Em alguns momentos me lembrou A Penny For My Thoughts, pela reconstrução coletiva da memória em um ambiente confinado, resultando na (re)construção coletiva de identidades. Mas o jogo não é derivativo e tem identidade própria. Durante toda a leitura, facilitada pelo texto bem escrito e objetivo, senti vontade de colocar viÆgóica em prática.

Gostaria de vê-lo publicado, sem sombra de dúvidas, com um trabalho gráfico mais elaborado, que faça jus ao conteúdo.

Primeira para segunda fase: sem alterações

NOTA: 3.0


 

Avaliação por Alan Silva

Os game designers Cauê Reigota, Francisco Alves, Tadeu Rodrigues foram seguros e consistentes com o LARP Viaegoica. Já é tradição nos concursos de FVM a submissão de LARP’s e aqui, Viaegoica demonstra o motivo pelo qual chegou até a esta fase. É impressionante a qualidade técnica e segurança dos elementos do jogo são todos bem conectados e tornando o jogo completamente funcional. Este jogo trabalha com os ingredientes galáxia, identidade e a meta de design: as linhas são tênues.

A importância de Viaegoica na comunidade de jogos é bem importante por ser uma ótima porta de entrada para pessoas jogarem LARP. Os fatores externos estão no próprio participante do jogo, o que facilita bastante toda a preparação de jogo, neste jogo chamado de Briefing. O tema do jogo é confortável, porque viagem no espaço é um tema bem comum em histórias ficcionais, então facilita bastante a imaginação na execução da narrativa.

O que mais me chamou a atenção em Viaegoica é que cada mês (no mundo real) é jogado uma nova natureza e local é alterado. O que torna o jogo bem único e instiga as pessoas a organizarem seu tempo para jogar.

Apesar de ser um protótipo, caso estes designers desejam levar adiante Viaegoica eu sugiro que eles peçam apoio editorial para ilustrar a disposição das pilhas e pessoas no espaço de jogo. Desta forma facilitará ainda mais o entendimento do jogo.

Este jogo entregou o que prometeu. Parabéns a todos que fizeram este jogo acontecer.

NOTA: 3.0

Nota final do jogo viÆgóica de Caue Reigota, Francisco Alves e Tadeu Rodrigues – Fase 2: 3.0


 

Avaliações da Fase 1

Avaliação por Felipe Recka

1. O jogo é capaz de transmitir a experiência a que se propõe? As regras atuam no sentido de proporcionar a experiência proposta?

Sim, completamente. As escolha de desenvolver um LARP foi muito acertada e tornará toda da experiência do jogo ainda mais marcante. Os autores foram muito felizes em suas escolhas e as regras com certeza proporcionam questionamentos a respeito do tema identidade.

2. Quão completo é o jogo: o jogo enviado funciona sozinho, com todos os elementos para uma sessão de teste?

Sim, o material apresentado funciona sozinho e possui todos os elementos para uma sessão de teste. Como sugestão os autores poderiam ter colocado possíveis cenários de jogo onde a resolução de um conflito depende necessariamente de uma memória.

3. O jogo incorpora de maneira concreta e substancial os temas escolhidos? Se a autora optou por usar uma das metas alternativas de design, ela conseguiu executá-la satisfatoriamente?

Temas: Galáxia e Identidade.
Meta de Design: Os limites são tênues

Sim, todos estão muito presentes e são bem desenvolvidos. O tema identidade foi explorado pelo conjunto de regras de maneira ímpar. A meta de design apesar de subjetiva ganha contornos bem definidos durante o jogo e acrescenta um nível de profundidade bastante interessante ao jogo. Parabéns aos autores fiquei muito feliz em ver esse desenvolvimento.

NOTA: 3


Avaliação por Stefan Plínio da Costa

1 – Sim, as regras são muito simples e são excelentes em transmitir a experiência proposta, elas facilitam e guiam bem a atuação do larp frente a proposta de interpretação e busca por identidade, aqui abordada de modo inteligente e criativo.

2 – O jogo é completo em suas regras e não demanda de materiais distintos para ser jogado, somado a sua simplicidade e proposta de atuação, o mesmo atua bem em uma partida teste que pode ser desenvolvida sem maiores dificuldades.

3 – É notável a preocupação dos desenvolvedores em abordar os temas propostos de modo imparcial e cuidadoso, os mesmos estão intrinsecamente ligados a mecânica e jogabilidade, sendo essa a maior qualidade desse jogo.

NOTA: 3


Avaliação por Gabriel Alonso

  • O jogo é capaz de transmitir a experiência a que se propõe? As regras atuam no sentido de proporcionar a experiência proposta?

O jogo transmite perfeitamente a experiência na qual se propõe. As regras funcionam de forma completa, proporcionando ao jogador a experiência de saber como exatamente os temas foram abordados. Seja na ambientação geral do jogo – onde cada jogador, de fato, assume os papeis apresentados no jogo a partir de quem são na vida real – ou na forma como as regras se aplicam no funcionamento e duração do jogo.

  • Quão completo é o jogo: o jogo enviado funciona sozinho, com todos os elementos para uma sessão de teste?

O jogo funciona bem com os elementos propostos para uma sessão de testes. Algumas mecânicas do jogo me fizeram pensar que ele teria pouco valor de replay, já que se jogado algumas vezes com o mesmo grupo de pessoas, as informações de algumas pilhas seriam, teoricamente, parecidas. Outra regra que pode não funcionar na prática é a forma como as emoções definem a revelação de memórias exatamente. Já que em alguns casos ou jogando com determinado grupo de pessoas, algumas delas jamais aconteceriam, o que poderia impedir o fluxo natural do jogo de acontecer. No mais, muitas regras pareceram complexas de serem entendidas, já que muitos detalhes devem ser lembrados durante todo o curso do jogo, o que quebra um pouco a imersão, já que diversas vezes seria necessário consultar o manual do jogo.

  • O jogo incorpora de maneira concreta e substancial os temas escolhidos?

Incorpora de maneira substancial os temas apresentados, utilizando-os de forma a construir o cenário ao mesmo tempo que busca abranger características pessoais de cada participante usando-os ambos ao mesmo tempo. Além disso, o jogo cumpre de forma satisfatória e elegante a meta de design escolhida.

Ressalvas finais: Antes de iniciar é importante ressaltar alguns erros na escrita geral do jogo, como em “os ALPHA (que não possuem melhoramentos genéticos) e os ÔMEGA (que não possuem melhoramentos genéticos).” Nenhum deles dificulta o entendimento do jogo e portanto não serão levado sem consideração na avaliação final, mas seria interessante corrigi-los na fase “De volta ao laboratório”. Viaegoica é uma viagem interessante através de informações de cada jogador, usando-as de forma a construir uma narrativa válida que se adequa bem ao cenário e às mecânicas de jogos propostas. Regras um pouco complexas e parecidas entre si, e que dependem completamente de como cada jogador se comporta, além de poder quebrar a imersão caso os jogadores as esqueça ou não as cumpra, acabam prejudicando sua funcionalidade, mas sem atrapalhar de forma alguma o ponto diferencial do jogo, que é seu ponto forte.

NOTA: 2


Nota final do jogo viÆgóica de Caue Reigota, Francisco Alves e Tadeu Rodrigues: 2,66

About the author: Rafael Rocha

Rafael Rocha é sociólogo, um dos membros do coletivo/editora Secular, e um dos organizadores das primeiras edições do Laboratório de Jogos e Concurso Faça-Você-Mesmo de Criação de Jogos.

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