Avaliações – Ser Vivo de Jairo Borges

Um Jogo Intimista Sobre Desigualdades, Empatia e Mudança – onde Androides aprendem a mudar o status quo (desfavorável para eles) em busca de consciência, e direitos iguais aos dos humanos.

Avaliações da Fase 2

Avaliação por Cecília Reis

  1. O jogo é capaz de transmitir a experiência a que se propõe? As regras atuam no sentido de proporcionar a experiência proposta? Sim
  2. Quão completo é o jogo: o jogo enviado funciona sozinho, com todos os elementos para uma sessão de teste? Sim
  3. O jogo incorpora de maneira concreta e substancial os temas escolhidos? Sim
    1. Se a autora optou por usar uma das metas alternativas de design, ela conseguiu executá-la satisfatoriamente? Não

Achei um bom documentos com mecânicas funcionais, leitura clara e um tipo de jogo e experiência bem descrita. Minha ressalva só é que faz tudo isso para descrever um conceito de máquinas sencientes e seu deslocamento numa sociedade humana, sem abordar com nenhum recorte fora da caixinha de ficção científica genérica.

NOTA: 2.5


Avaliação por Seculares

  • O jogo é capaz de transmitir a experiência a que se propõe? As regras atuam no
    sentido de proporcionar a experiência proposta?

O jogo transmite a experiência proposta, com uma mecânica simples de resolução baseada mais na decisão ou intenção da ação, do que na dificuldade da ação em si, partindo do pressuposto que os androides possuem elevada expertise no que quer que façam.

  • Quão completo é o jogo: o jogo enviado funciona sozinho, com todos os
    elementos para uma sessão de teste?

O jogo é bem completo, e possui todas as regras para ser jogado, mas não tem um fim definido, ou um objetivo muito específico além dos jogadores passarem pelas situações de desigualdade e maldade do ser humano.

  • O jogo incorpora de maneira concreta e substancial os temas escolhidos?

A empatia é representada pelos acontecimentos ao redor dos jogadores, e pela forma como são tratados pelos humanos, e pela relação dos personagens com seus testes, cuja dificuldade é representada mais pelo seu interior que pelo ambiente. A cor é aplicada nos dados, que representam a dificuldade, e pode ser manipulada pelos pontos de ruptura do mestre. Já a meta de redução de desigualdades cabe mais ao cenário do que às mecânicas…

NOTA: 2.5

Nota final do jogo Ser Vivo de Jairo Borges – Fase 2: 2,65


 

Avaliações da Fase 1

Avaliação por Guilherme Korn

Ser Vivo, pra mim, é de longe um dos melhores jogos que li.

A primeira vez que li o jogo, foi antes dele ser entregue ao concurso, e eu torci muito para não ter que analisá-lo. E passei dias relendo pra catar os piolhos e tentar achar algo diferente de elogios para dizer ao autor. Não consegui.

O jogo é literalmente aquilo que propõe ser:

Um jogo intimista.
Um jogo sobre empatia.
E um jogo que vai tirar você da sua zona de conforto.

Os temas escolhidos pelo autor foram diretos: Empatia e Cor.

Empatia está visivelmente atrelada ao papel que você interpreta, e a tudo o que se desenvolve na cena. Sua mecânica principal (altamente atrelada à Cor, também) se baseia em ações e reações, e é nisso que entra toda a questão de Empatia: se colocar no papel do outro, entender as ações do outro, e reagir de acordo.

Quando essas reações são atreladas a uma aleatoriedade – explicada no contexto como parte natural da sociedade – a coisa muda de figura. É como dar bom dia pra uma pessoa mal humorada, e receber um “Vai pro caralho!” como resposta (fato acontecido comigo, mais de uma vez). Isso existe. Isso está no nosso dia a dia. E a forma como o jogo aborda isso, eleva isso a uma potência que beira o descontrole – beira não, é uma rolagem de dados, é descontrole – torna esse aspecto palpável. Pra mim, foi simplesmente impossível não ver o tema no jogo.

Cor, por sua vez, está diretamente relacionada com a rolagem de dados – e a construção do personagem, suas características. Quando uma “característica” é rolada, o dado de determinada cor é lançado, contra um outro dado que representa o ambiente no momento, a reação sobre a ação dos andróides. E tudo isso é baseado nas três cores, cada “característica” sendo atrelada a uma delas. O resultado disso joga o pêndulo de volta para a narrativa com a implicação mecânica do resultado – que é atrelado à Empatia, pela forma que as ações se desenvolvem.

Nota: Rolar dados com ambas as mãos é difícil cara, dá um jeito nisso, por favor. :v

Pra mim, a coesão entre os dois temas na mecânica do jogo, foram executadas magistralmente.

O autor também escolheu uma Meta de Design: Jogos para Redução de Desigualdades.

Não a senti tão presente na mecânica, mas sim no contexto do jogo. Colocar os jogadores no papel de oprimidos – e de uma forma que, literalmente, qualquer pessoa poderia se identificar – e tentar ensinar pra eles qual é a realidade dessas pessoas, foi uma ótima sacada.

Os andróides como metáfora – para mulheres em uma sociedade machista, negros num mundo racista, e etc – tornam a identificação possível, e os problemas palpáveis, até para quem não faz parte dessas minorias.

Entretanto, acho que o texto carece de exemplos. Talvez para torná-lo mais amigável? Fica a dúvida aqui…

Respondendo as perguntas:

  1. O jogo é capaz de transmitir a experiência a que se propõe? As regras atuam no sentido de proporcionar a experiência proposta? Definitivamente sim. O texto não traz muitos exemplos, mas sua leitura faz com que as situações sejam visíveis aos leitores.
  2. Quão completo é o jogo: o jogo enviado funciona sozinho, com todos os elementos para uma sessão de teste? Totalmente. Em minha opinião, o jogo só precisa passar pelos playtests e pronto, pode publicar.
  3. O jogo incorpora de maneira concreta e substancial os temas escolhidos?  Concreta, substancial e maestralmente. Mesmo sem uma explicação do uso dos temas, é perfeitamente possível vê-los no texto.
  • Se a autora optou por usar uma das metas alternativas de design, ela conseguiu executá-la satisfatoriamente? Sim, acredito que a meta de design está ali. Senti falta de exemplos, como disse, mas, está ali.

E, ponderando a avaliação para o resultado já esperado, de acordo com meu texto…

NOTA: 3


Avaliação por Joker, Andersson e Átila

1) O jogo é capaz de transmitir a experiência a que se propõe? As regras atuam no sentido de proporcionar a experiência proposta?

Sim, com certeza! O jogo possui um sistema próprio de regras, em uma ambientação interessante (mas que ainda pode ser mais aprofundada). Estes dois elementos trabalham para propiciar a experiência proposta aos jogadores.

2) Quão completo é o jogo: o jogo enviado funciona sozinho, com todos os elementos para uma sessão de teste?

Em termos de sistema, sim. Em termos de cenário, o mestre precisará elaborar alguns elementos antes de mestrar.

3) O jogo incorpora de maneira concreta e substancial os temas escolhidos?  Se a autora optou por usar uma das metas alternativas de design, ela conseguiu executá-la satisfatoriamente?

Os temas “Empatia” e a meta “Redução de Desigualdades” são amplamente contemplados. O tema “Cor” está presente mais superficialmente.

NOTA: 3


 

Avaliação por Felipe Recka

1. O jogo é capaz de transmitir a experiência a que se propõe? As regras atuam no sentido de proporcionar a experiência proposta?

Em partes, o autor o descreve como “Um Jogo Intimista Sobre Desigualdades, Empatia e Mudança” e cumpre esse papel. As regras são bastante simples e, talvez por essa simplicidade, agem de maneira superficial para proporcionar a experiência. Toda a construção de cenário e de conflitos dependerá mais dos jogadores, em especial do moderador, do que do conjunto de regras.

2. Quão completo é o jogo: o jogo enviado funciona sozinho, com todos os elementos para uma sessão de teste?

Como dito acima, o jogo só funcionará se os jogadores tiverem bagagem o suficiente para desenvolverem cenário e conflitos. Apesar do grande potencial que o jogo possui ele depende do conhecimento prévio dos jogadores sobre o tema. Caso cinco pessoas se juntem para jogar e nenhuma delas tenha tido experiência anterior com jogos narrativos, tenho dúvidas se eles poderiam realizar uma sessão de teste.

3. O jogo incorpora de maneira concreta e substancial os temas escolhidos? Se a autora optou por usar uma das metas alternativas de design, ela conseguiu executá-la satisfatoriamente?

Temas: Empatia e Cor.
Meta de Design: Redução de Desigualdades
Empatia sim está muito presente e é um dos pilares do desenvolvimento. O tema cor foi utilizado pelo conjunto de regras, mas é dispensável. Pode ter sido substituído sem prejuízo ao jogo.

A meta de design é muito subjetiva e o autor em nenhum momento expressou como entende que seu jogo contribui para redução de desigualdades.

NOTA: 1


Nota final do jogo Ser Vivo de Jairo Borges: 2,33

About the author: Rafael Rocha

Rafael Rocha é sociólogo, um dos membros do coletivo/editora Secular, e um dos organizadores das primeiras edições do Laboratório de Jogos e Concurso Faça-Você-Mesmo de Criação de Jogos.

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