Avaliações – Rainbow Crystals de Marco Antônio Veloso da Silva

Avaliação por Tarcisio Lucas

1. O jogo é capaz de transmitir a experiência a que se propõe? As regras atuam no sentido de proporcionar a experiência proposta?

Sim, o jogo se propõe a criar um mundo de fantasia dentro do conceito “Queer”, e nesse sentido as regras foram encaixadas proporcionando isso.

2. Quão completo é o jogo: o jogo enviado funciona sozinho, com todos os elementos para uma sessão de teste?

Sim, o jogo se mantém perfeitamente com as regras apresentadas.

3. O jogo incorpora de maneira concreta e substancial os temas escolhidos? Se a autora optou por usar uma das metas alternativas de design, ela conseguiu executá-la satisfatoriamente?

Sim, os temas foram bem trabalhados.

NOTA: 3


Avaliação por Joker, Andersson e Átila

1) O jogo é capaz de transmitir a experiência a que se propõe? As regras atuam no sentido de proporcionar a experiência proposta?

Sim, com certeza! O jogo possui uma ambientação muito interessante, e é acompanhado por um sistema de regras (que parece bom, mas não é tão inovador quanto o cenário). Gostaria muito de conhecer mais a fundo o mundo apresentado nesta proposta!

2) Quão completo é o jogo: o jogo enviado funciona sozinho, com todos os elementos para uma sessão de teste?

O jogo possui um cenário próprio e um sistema próprio, funcionando sozinho, portanto.

3) O jogo incorpora de maneira concreta e substancial os temas escolhidos? Se a autora optou por usar uma das metas alternativas de design, ela conseguiu executá-la satisfatoriamente?

O protótipo consegue trabalhar com muitos temas propostos simultaneamente. Masculinidade, Empatia e Identidade são os principais temas, os três muito bem trabalhados. As duas metas propostas também são bem trabalhadas.

NOTA: 3


Avaliação por André Bogaz

Este jogo, infelizmente, desrespeita as regras do concurso. Sua contagem de palavras ultrapassa em muito o limite estabelecido. Se vocês verificarem, verão que o autor deixou parte do texto como imagens, não sei se intencionalmente ou não. Isso, porém, faz com que não seja possível verificar exatamente o número de palavras. As palavras que aparecem como texto já ultrapassam o limite, porém muito pouco, dentro de uma margem que seria aceitável a meu ver. Para demonstrar isso, mando em anexo dois arquivos. Um deles é o texto do jogo, copiado e colado num .doc, para que se possa fazer a contagem de palavras. O outro é um .pdf no qual deixei destacado com marcador em amarelo todos os trechos em que aparece texto que na verdade é imagem.

Devido a esse fator, peço a desclassificação deste jogo, por desrespeitar uma das regras básicas do concurso, que os outros jogos que recebi se esforçaram por manter. Seria injusto com o resto.

Caso não aceitem esse pedido e mantenham o jogo no concurso, peço que me permitam, extraordinariamente, dar nota 0 (zero) a esse jogo. Se isso também não for aceito, favor considerar nota 1, sob protestos.

É uma pena, pois as intenções do autor são as melhores possíveis.

De resto, respondo às perguntas que vocês propuseram:

O jogo é capaz de transmitir a experiência a que se propõe? As regras atuam no sentido de proporcionar a experiência proposta?

É complicado responder isso sobre esse jogo. De certo modo, sim. Trata-se de um RPG típico, que não incorpora as questões de gênero e sexualidade, exceto como um detalhe sem grande impacto real no jogo. Aparece na criação de personagens e como tema proposto do cenário, mas depois disso não é incorporado em mais nada ao longo das dezenas de páginas do jogo.  Porém, no começo do texto o autor coloca exatamente isso, criar um RPG típico, como sua proposta. Portanto, o jogo transmite a experiência proposta, que é a experiência de um RPG tradicional sem inovações. As regras também vão nesse sentido. Mas, para mim, isso não resulta num jogo mais inclusivo, como o autor objetivava. Ele é tão inclusivo quanto a maioria dos RPGs tradicionais mais recentes, que já incluem diferentes opções de identificação de gênero e sexualidade. Acho que o jogo teria mais sucesso se o autor usasse as ideias de queertopia queerpunk, que nos apresenta no começo do texto, ao longo do jogo, pelo menos instruindo sobre como usar esses conceitos em relação com as regras que escreveu ou, de preferência, imbuindo as regras com mais elementos queer. Atualmente, esse RPG poderia ser jogado ignorando-se completamente a questão queer sem que houvesse muita mudança no jogo. O ideal seria que a proposta queer fosse impossível de separar do jogo em si, que as regras não permitissem um jogo não queerpunk ou queertópico da forma como são escritas.

Quão completo é o jogo: o jogo enviado funciona sozinho, com todos os elementos para uma sessão de teste?

O jogo é incompleto, mas parece funcionar e permitir uma sessão de teste. Há lacunas muito básicas, porém. Por exemplo, diversas regras se referem ao nível dos personagens, mas em nenhum lugar pude encontrar informações sobre quando eles sobem de nível. Há uma breve seção sobre pontos de experiência e como são obtidos, mas a seção não fala nada sobre subir de nível e, ao invés disso, nos fornece uma tabela informando em quê aprimoramentos esses pontos podem ser gastos.

O jogo incorpora de maneira concreta e substancial os temas escolhidos? Se a autora optou por usar uma das metas alternativas de design, ela conseguiu executá-la satisfatoriamente?

O autor escolheu temas e metas de design demais, o que o prejudicou nesse quesito. São sete os temas (Privilégio, Cor, Masculinidade, Fortaleza, Empatia, Tribos, Identidade), dos quais apenas três aparecem no jogo, ao menos de forma superficial: identidade, masculinidade e, mais questionavelmente, cor. Os outros ou são aludidos sem que nada os conecte ao jogo, ou nem isso. As metas de design foram duas: “Tipo isso, mas diferente” e “Redução das desigualdades”. Ambas foram implementadas, embora apenas parcialmente, a meu ver.

Dado isso, dou para esse jogo nota 0 (zero) ou, caso não aceitem, nota 1.

NOTA: 1


 

Nota final do jogo Rainbow Crystals de Marco Antônio Veloso da Silva: 2,33

About the author: Rafael Rocha

Rafael Rocha é sociólogo, um dos membros do coletivo/editora Secular, e um dos organizadores das primeiras edições do Laboratório de Jogos e Concurso Faça-Você-Mesmo de Criação de Jogos.

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