Avaliações – Panteão de Jordan Florio de Oliveira

Panteão é uma mistura de jogo narrativo com estratégico, usando mecânicas similares entre boardgame moderno e rpg tradicional com grande inspiração de A Quiet Year para permitir que os jogadores desenvolvam uma tribo antiga para se tornar uma sociedade mais complexa com o tempo.

Avaliações da Fase 2

Avaliação por Livia Von Sucro

  • O jogo é capaz de transmitir a experiência a que se propõe? As regras atuam no sentido de proporcionar a experiência proposta? O jogo ainda está muito cru, e as regras não conseguem exprimir bem a experiência subjetiva de ser uma deidade e um sacerdote desta deidade (1.2 em 3.0)
  • Quão completo é o jogo: o jogo enviado funciona sozinho, com todos os elementos para uma sessão de teste? É possível testar o jogo, mas ele ainda está em uma fase bem inicial. (1.5 em 3.0)
  • O jogo incorpora de maneira concreta e substancial os temas escolhidos? Sim, porém de modo bem simples e literal (1.5 em 3.0)
    1. Se a autora optou por usar uma das metas alternativas de design, ela conseguiu executá-la satisfatoriamente? Não foram utilizadas metas alternativas

Achei interessante o autor querer sair de sua zona de conforto e tentar fazer algo novo. Já merece parabéns por isso, e pela citação marota a Star Wars (General Kenobi!). Entretanto, o jogo me parece apenas o esqueleto de um boardgame. Apesar da proposta do autor, que pretende construir uma experiência de narrativa, eu ainda vi muito de estratégia nas regras, e pouco de storygame. Noto que há sim uma preocupação em construir elementos de incorporação de papeis aqui e ali, mas tudo está ainda muito incipiente.

Há muitas tabelas, descrição de efeitos, até um grid, mas pouquíssimo suporte narrativo.

Talvez falte ao desenvolvedor mais experiência jogando e/ou desenvolvendo jogos narrativos, para equiparar a habilidade que ele já possui com jogos de tabuleiro. Não desista, meu jovem padawan :)

NOTA: 1.4


Avaliação por Seculares

Panteão apresenta uma proposta de um jogo narrativo com fortes elementos de jogos de tabuleiros, no qual os jogadores interpretam simultaneamente divindades e seus sacerdotes na criação de um mundo. O jogo tem boas ideias e parece mecanicamente muito bem amarrado, porém deixa algumas lacunas importantes, como por exemplo, acerca do término do jogo…

  • O jogo é capaz de transmitir a experiência a que se propõe? As regras atuam no
    sentido de proporcionar a experiência proposta?

A proposta do jogo é interessante, principalmente a dualidade entre jogar de sacerdote e de deus do jogador do lado, muito bem explorada. O mundo e a civilização de cada um se desenvolvem ao longo da partida, mas parece não haver um objetivo muito bem definido a respeito de onde elas querem chegar e qual o objetivo proposto…

  • Quão completo é o jogo: o jogo enviado funciona sozinho, com todos os
    elementos para uma sessão de teste?

O jogo é relativamente completo, e possui regras para ser jogado, envolvendo a criação de deuses, de seus sacerdotes e da civilização que os jogadores representam, mas ele fica um pouco solto nos objetivos de uma partida ou no endgame, o que dá a impressão de que fica faltando alguma coisa, principalmente pela influência que tem de boardgames.

  • O jogo incorpora de maneira concreta e substancial os temas escolhidos?

O privilégio é bem representado pelo poder absoluto de decisão dos deuses e de seus sacerdotes nos rumos da civilização. As ideias de tribo e identidade também estão bem presentes, diante da conceituação da civilização e de suas características, que afetam a forma como o jogo se desenrola, e do próprio sacerdote, influenciado pelo seu Deus desde sua criação.

NOTA: 2,5

Nota final do jogo Panteão de Jordan Florio de Oliveira – Fase 2: 1,95


Avaliações da Fase 1

Avaliação por Eduardo Francis

  • O jogo é capaz de transmitir a experiência a que se propõe? As regras atuam no sentido de proporcionar a experiência proposta?

Sim, o jogo é capaz de transmitir a experiência que se propõe. Suas regras colocam os jogadores nos papéis de deidades e sacerdotes, os quais se revezam no controle de uma civilização que evolui no passar do ano (uma estação do ano representa a vez de um jogador atuando como divindade).

O poder de influenciar secretamente as ações dos mortais, representados pelo sacerdote de cada divindade, coloca um elemento de “conspiração divina” no jogo. O panteão de deuses disputa a supremacia sobre a civilização que a venera.

  • Quão completo é o jogo: o jogo enviado funciona sozinho, com todos os elementos para uma sessão de teste?

Infelizmente não. Apesar de o autor tratar de diversas variáveis que deveriam evoluir conforme o jogo transcorre não há uma lista sobre elas, ou o limite de desenvolvimento de tecnologias, ou ainda conhecimentos da civilização disputada pelo panteão. Por exemplo, o autor escreve sobre a acumulação e criação de recursos sem delimitar com clareza o que seriam. Além disso, não há uma explicação de qual caminho tomar a partir das “tecnologias básicas” e dos “dogmas”, deixando os jogadores sem uma lógica para seguir.

Alguns elementos são adicionados sem contribuir para a dinâmica do jogo. O elemento do mapa é o principal deles, pois não se relaciona com nenhuma das etapas do turno (da estação do ano de uma divindade específica). Outro elemento que não acrescenta no jogo de forma similar ao mapa é o de “relacionamento com o ambiente”.

  • O jogo incorpora de maneira concreta e substancial os temas escolhidos?

Os temas “tribos”, “privilégio” e “identidade” são incorporados de maneira parcial.

O tema “tribos” é incorporado claramente na civilização disputada entre os deuses – jogadores. Por outro lado quando os jogadores agem como sacerdotes estão dentro da civilização, os colocando em outro ponto de vista no mesmo jogo. Algo muito positivo.

O tema “privilégio” não é incorporado de maneira concreta. A meu ver o autor tenta estabelecer uma relação de privilégio com a lógica do “deus pai” e “deusa mãe”, mas ela é pontual e se sobressai na hora de criação do mapa – elemento que não acrescenta em nada ao jogo. Pode-se também alegar que o tema “privilégio” esteja presente na relação do jogador-divindade com seu sacerdote, todavia todos os jogadores ora estarão no papel de divindade, ora estarão no papel de sacerdote. Por isso na realidade dentro do jogo não há um “privilégio”, mas sim um revezamento igualitário de papéis.

O tema “identidade” é o mais trabalhado pelo autor. Além da tribo/civilização (ele intercala o uso das expressões) desenvolver características próprias que irão beneficiar um ou outro deus, os próprios deuses ganham personalidades bem constituídas conforme o jogo se desenrola.

Observações finais: o jogo “Panteão” tem um bom potencial, mas peca em não interligar seus elementos e dar exemplos de desenvolvimento dos turnos e seus elementos internos.

NOTA: 2


 

Avaliação por Marcelo Faria

  • O jogo é capaz de transmitir a experiência a que se propõe? As regras atuam no sentido de proporcionar a experiência proposta?

Sim, mas falta um pouco de recheio em Pacto. Faltam mecânicas para as histórias e para os desafios.

  • Quão completo é o jogo: o jogo enviado funciona sozinho, com todos os elementos para uma sessão de teste?

Incompleto, mas por pouco. Demanda um trabalho extra para ser jogado de verdade.

  • O jogo incorpora de maneira concreta e substancial os temas escolhidos? 

Tribos foi bem incorporado. O empatia mais de leve e a meta de limites tênues foi bem aplicada.

NOTA: 2


Avaliação por Igor Moreno

O jogo tem uma temática interessante, e mecânicas que aparentemente funcionam de modo elegante, distribuindo papeis a jogadores que necessariamente se encaixam com os personagens interpretados por outros, e a temática casa muito bem com os temas propostos. É clara a influência dos euro boardgames dada a alocação de aldeões em funções e a estrutura rígida de fases de jogo. Talvez com mais tempo de desenvolvimento as fases pudessem trazer outras mecânicas adicionais. Provavelmente um diagrama do fluxo de uma partida fosse interessante dada a posição física dos jogadores ter importância mecânica, e mesmo porque em boardgames uma cheat sheet é algo geralmente presente e bastante útil.

NOTA: 2 


Nota final do jogo Panteão de Jordan Florio de Oliveira: 2,00

About the author: Rafael Rocha

Rafael Rocha é sociólogo, um dos membros do coletivo/editora Secular, e um dos organizadores das primeiras edições do Laboratório de Jogos e Concurso Faça-Você-Mesmo de Criação de Jogos.

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