Avaliações – Panteão de Jordan Florio de Oliveira

Avaliação por Eduardo Francis

  • O jogo é capaz de transmitir a experiência a que se propõe? As regras atuam no sentido de proporcionar a experiência proposta?

Sim, o jogo é capaz de transmitir a experiência que se propõe. Suas regras colocam os jogadores nos papéis de deidades e sacerdotes, os quais se revezam no controle de uma civilização que evolui no passar do ano (uma estação do ano representa a vez de um jogador atuando como divindade).

O poder de influenciar secretamente as ações dos mortais, representados pelo sacerdote de cada divindade, coloca um elemento de “conspiração divina” no jogo. O panteão de deuses disputa a supremacia sobre a civilização que a venera.

  • Quão completo é o jogo: o jogo enviado funciona sozinho, com todos os elementos para uma sessão de teste?

Infelizmente não. Apesar de o autor tratar de diversas variáveis que deveriam evoluir conforme o jogo transcorre não há uma lista sobre elas, ou o limite de desenvolvimento de tecnologias, ou ainda conhecimentos da civilização disputada pelo panteão. Por exemplo, o autor escreve sobre a acumulação e criação de recursos sem delimitar com clareza o que seriam. Além disso, não há uma explicação de qual caminho tomar a partir das “tecnologias básicas” e dos “dogmas”, deixando os jogadores sem uma lógica para seguir.

Alguns elementos são adicionados sem contribuir para a dinâmica do jogo. O elemento do mapa é o principal deles, pois não se relaciona com nenhuma das etapas do turno (da estação do ano de uma divindade específica). Outro elemento que não acrescenta no jogo de forma similar ao mapa é o de “relacionamento com o ambiente”.

  • O jogo incorpora de maneira concreta e substancial os temas escolhidos?

Os temas “tribos”, “privilégio” e “identidade” são incorporados de maneira parcial.

O tema “tribos” é incorporado claramente na civilização disputada entre os deuses – jogadores. Por outro lado quando os jogadores agem como sacerdotes estão dentro da civilização, os colocando em outro ponto de vista no mesmo jogo. Algo muito positivo.

O tema “privilégio” não é incorporado de maneira concreta. A meu ver o autor tenta estabelecer uma relação de privilégio com a lógica do “deus pai” e “deusa mãe”, mas ela é pontual e se sobressai na hora de criação do mapa – elemento que não acrescenta em nada ao jogo. Pode-se também alegar que o tema “privilégio” esteja presente na relação do jogador-divindade com seu sacerdote, todavia todos os jogadores ora estarão no papel de divindade, ora estarão no papel de sacerdote. Por isso na realidade dentro do jogo não há um “privilégio”, mas sim um revezamento igualitário de papéis.

O tema “identidade” é o mais trabalhado pelo autor. Além da tribo/civilização (ele intercala o uso das expressões) desenvolver características próprias que irão beneficiar um ou outro deus, os próprios deuses ganham personalidades bem constituídas conforme o jogo se desenrola.

Observações finais: o jogo “Panteão” tem um bom potencial, mas peca em não interligar seus elementos e dar exemplos de desenvolvimento dos turnos e seus elementos internos.

NOTA: 2


 

Avaliação por Marcelo Faria

  • O jogo é capaz de transmitir a experiência a que se propõe? As regras atuam no sentido de proporcionar a experiência proposta?

Sim, mas falta um pouco de recheio em Pacto. Faltam mecânicas para as histórias e para os desafios.

  • Quão completo é o jogo: o jogo enviado funciona sozinho, com todos os elementos para uma sessão de teste?

Incompleto, mas por pouco. Demanda um trabalho extra para ser jogado de verdade.

  • O jogo incorpora de maneira concreta e substancial os temas escolhidos? 

Tribos foi bem incorporado. O empatia mais de leve e a meta de limites tênues foi bem aplicada.

NOTA: 2


Avaliação por Igor Moreno

O jogo tem uma temática interessante, e mecânicas que aparentemente funcionam de modo elegante, distribuindo papeis a jogadores que necessariamente se encaixam com os personagens interpretados por outros, e a temática casa muito bem com os temas propostos. É clara a influência dos euro boardgames dada a alocação de aldeões em funções e a estrutura rígida de fases de jogo. Talvez com mais tempo de desenvolvimento as fases pudessem trazer outras mecânicas adicionais. Provavelmente um diagrama do fluxo de uma partida fosse interessante dada a posição física dos jogadores ter importância mecânica, e mesmo porque em boardgames uma cheat sheet é algo geralmente presente e bastante útil.

NOTA: 2 


Nota final do jogo Panteão de Jordan Florio de Oliveira: 2,00

 

 

About the author: Rafael Rocha

Rafael Rocha é sociólogo, um dos membros do coletivo/editora Secular, e um dos organizadores das primeiras edições do Laboratório de Jogos e Concurso Faça-Você-Mesmo de Criação de Jogos.

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