Avaliações – OPÇÃO: NERD de Rafael Canhête Lopes Filho

Avaliação por Janine Appel e Êowyn

  1. O jogo é capaz de transmitir a experiência a que se propõe? As regras atuam no sentido de proporcionar a experiência proposta?

“Neste jogo cada participante representa um típico Nerd “raiz” e busca realizar seus sonhos junto com seu grupo de amigos Nerds, lutando contra a própria falta de autoestima e o bullying para não desistir de seus objetivos de vida sucumbindo à banalidade de uma rotina sem sentido.” Parece-me que é um jogo de nerds, sobre nerds e para nerds. Nenhum problema! O objetivo e o público alvo estão bem definidos e a mecânica parece proporcionar essa experiência de modo satisfatório. O uso do cubo mágico foi uma boa escolha para conduzir a construção da narrativa e todo o desenrolar do jogo. Quem não ama cubos mágicos? <3

Nota: 3

  1. Quão completo é o jogo: o jogo enviado funciona sozinho, com todos os elementos para uma sessão de teste?

Simples, facilmente compreensível e completo.

Nota: 3

  1. O jogo incorpora de maneira concreta e substancial os temas escolhidos? Se a autora optou por usar uma das metas alternativas de design, ela conseguiu executá-la satisfatoriamente?

A cor certamente é o tema mais palpável no jogo, intrínseco na mecânica do cubo mágico (S2). Por outro lado, empatia é colocar-se no lugar do outro, do diferente. Talvez isso fosse possível se um não nerd estivesse na mesa, entende? O mesmo acontece com identidade, que não é algo estático, mas em constante modificação e reconstrução no contato com o outro – o diferente. Nesse caso, a experiência fica incompleta.

Nota: 1

NOTA: 2,33


Avaliação por Gustavo Vazquez Ramos

Admito que não gostei do esteriótipo de “Nerd” apresentado. Embora o jogo transmita a experiência proposta, me pareceu demais negativa. Não há uma busca por igualdade, reconhecimento, valorização da minoria, mas inclusive uma disputa por vencedores que torna a vítima em seu próprio algoz. A esteriotipização do Nerd é demais anos 80, coisa que os próprios nerds/geeks já superaram. Não foi se colocando na posição pedida nesse jogo que eles conseguiram criar autonomia, auto-respeito, etc. O jogo banaliza algo sério, e aponta sonhos como contrários a ser adulto – como se ser Nerd fosse viver em uma bolha infantil/juvenil. Isso não me parece coerente.

O jogo está completo, e isso é um mérito, porém embora a ideia de se usar um cubo mágico seja diferente, talvez houvesse formas mais dinâmicas de reproduzir o mesmo sistema. Rolar um cubo mágico não é tão simples. Entendo a relação entre o cubo e o esteriótipo de Nerd.

Os temas estão de acordo, exceto talvez pela “empatia”. Esteriótipos nunca valorizam nada, apenas asseveram o viés negativo. Não houve metas estendidas.

NOTA: 1


Avaliação por Guilherme Bufete Liberato

  • O jogo é capaz de transmitir a experiência a que se propõe? As regras atuam no sentido de proporcionar a experiência proposta?

O jogo funciona bem, transmite muito bem a experiência proposta, a imersão é realmente muito grande, em parte pela narrativa compartilhada muito bem executada. As regras funcionam muito bem, são diferentes, e um pouco confusas, mas proporcionam uma experiência satisfatória.

  • Quão completo é o jogo: o jogo enviado funciona sozinho, com todos os elementos para uma sessão de teste?

Como dito anteriormente, as regras apresentam um pouco de confusão. A preparação, e a sequência de rodadas é bem explicado, mas na sessão do “livro”: Fase de Intrometimento, falta uma certa clareza nas regras gerais, e apesar do jogo funcionar sim sozinho, ele deixa muitas dúvidas do que é “permitido” se fazer.

  • O jogo incorpora de maneira concreta e substancial os temas escolhidos? 
    • Se a autora optou por usar uma das metas alternativas de design, ela conseguiu executá-la satisfatoriamente?

Os temas utilizados foram: Cor, Empatia e Identidade. Todas as 3 são muito aplicadas, e são incorporados de maneira bem concreta e substancial.

NOTA: 2


Nota final do jogo OPÇÃO: NERD de Rafael Canhête Lopes Filho: 1,77

About the author: Rafael Rocha

Rafael Rocha é sociólogo, um dos membros do coletivo/editora Secular, e um dos organizadores das primeiras edições do Laboratório de Jogos e Concurso Faça-Você-Mesmo de Criação de Jogos.

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