Avaliações – O Guarda no Portão de Cezar Capacle

Um jogo sobre gatekeeping, ou seja, o ato unilateral de decidir quem pode ou não pertencer a uma Tribo. A Fortaleza representa as barreiras à entrada a uma Tribo que alguém enfrenta ao expressar uma Identidade que não atende ao estabelecido pelos protetores das “normas” – O Guarda no Portão.

Avaliações da Fase 2

Avaliação por Juliana Truite

  • O jogo é capaz de transmitir a experiência a que se propõe? As regras atuam no sentido de proporcionar a experiência proposta?

Definitivamente sim. A proposta do jogo é um tanto pesada mas as regras garantem segurança e conforto aos jogadores, incluindo explicitamente conselhos para discutir antes, durante e depois do jogo quaisquer assuntos que possam se tornar desconfortáveis.

  • Quão completo é o jogo: o jogo enviado funciona sozinho, com todos os elementos para uma sessão de teste?

Está completo, incluindo as fichas e opções caso os materiais necessários não sejam de fácil acesso.

  • O jogo incorpora de maneira concreta e substancial os temas escolhidos?
    Se a autora optou por usar uma das metas alternativas de design, ela conseguiu executá-la satisfatoriamente?

Sim. Os temas estão bastante claros no design do jogo, sendo essenciais na criação dos personagens, cenário e nas narrativas a serem desenvolvidas. Todas as cenas e questões passam pelo filtro dos temas Identidade e Tribo. O tema Fortaleza foi aplicado de forma tanto metafórica quanto física, trazendo um diferencial bastante interessante e lúdico ao jogo.

Observações e Nota Final:

Eu adoro histórias interconectadas, e isso é um dos principais atributos desse jogo. Porém, aqui eu acho que a criação e desenvolvimento de três cenários e três história completamente separados um do outro se torna um ponto mais negativo do que positivo. São muitos detalhes a serem criados, cada parte da história gera infinitas variáveis e possibilidades e o fluxo entre uma e outra me pareceu bastante truncado. A rotatividade dos papéis entre os jogadores é muito boa, mas acredito que ela poderia se manter mesmo havendo apenas uma história se desenrolando. Ironicamente, me pareceu um jogo bastante complexo, ao ponto de ser meio proibitivo para iniciantes ou pessoas inseguras, o que vai contra a proposta de analisar e enfrentar os terríveis gatekeepers.

NOTA: 2.0


 

Avaliação por Livia Von Sucro

  • O jogo é capaz de transmitir a experiência a que se propõe? As regras atuam no sentido de proporcionar a experiência proposta? O jogo consegue construir lentamente o processo de confrontar o “gatekeeping”, o indivíduo ou instituição que impede o acesso do protagonista a uma determinada tribo (literal ou não), enquanto fortalezas de dados são pouco a pouco desfeitas. Poesia visual nas mecânicas. (3.0 em 3.0)
  • Quão completo é o jogo: o jogo enviado funciona sozinho, com todos os elementos para uma sessão de teste? Está completo, pronto para jogar. (3.0 em 3.0)
  • O jogo incorpora de maneira concreta e substancial os temas escolhidos? Sim, e de forma sofisticada e cuidadosa  (3.0 em 3.0)
    1. Se a autora optou por usar uma das metas alternativas de design, ela conseguiu executá-la satisfatoriamente? Não

Lírica metáfora sobre a humanidade e suas vicissitudes. Uma gema entre os vários jogos excelentes do concurso, OGnP se destaca pela sensibilidade, pela temática premente, e por regras que, mesmo complexas e minuciosas (há até orientação cuidadosa sobre o tempo de jogo), não destoam da preocupação com a subjetividade que o jogo requer. Apesar de explorar questões belicosas, facilmente cooptáveis por polêmicas de cunho ideológico, o jogo consegue se fazer separar do mundo real o bastante para funcionar como metalinguagem sem parecer pedante.

O jogo segue a tradição de games indie como In A Wicked Age ou até mesmo A Quiet Year, com foco na narração de cenas e na construção compartilhada de personagens/lugares/períodos, e não em conflitos entre jogadores e resolução básica de problemas. Pode não agradar a todos: muita gente tem a sensação de que este tipo de jogo é mais uma atividade preliminar do que jogo em si. Eu recomendo que ele seja colocado em prática assim mesmo, como um criador de backgrounds.

Eu gostaria de ver o OGnP publicado. Creio que alguns playtests e ajustes mínimos seriam suficientes.

NOTA: 3.0

Nota final do jogo O Guarda no Portão de Cezar Capacle – Fase 2: 2.5


Avaliações da Fase 1

Avaliação por Sarah Helena

O tema foi muito bem desenvolvido e explicitado, e o resumo inicial do jogo já dá um bom oriente do que vamos encontrar. Muito boa a preocupação em falar de gatilhos e reforçar a importância da temática não ser usada como sarro, os Limites e a Edição. É um cuidado muito válido e que fico satisfeita de ver em um jogo. Só gostaria de sugerir que além de “ele” e “ela” houvesse algum termo neutro, porque autômatos (e mesmo alienígenas) facilmente podem não conceituar gênero.

Me preocupa um pouco quanto tempo a partida dura. Não fiz um jogo teste, mas acredito que as cenas podem ser um pouco longas e talvez isso possa dificultar chegar até o guarda do portão. De todos os jogos que li (não li os 41, mas li uma boa parte) esse foi o jogo que mais gostei e que mais me instigou a tentar uma partida.

O texto é claro e coeso, compreensível e tem um ritmo que facilita a leitura. Facilmente esse jogo poderia ser usado em grupos que se propõem a discutir direitos humanos e questões de minorias, e é especialmente positivo para aqueles que estão em posição de privilégio exercerem empatia ao se colocar nesses papéis.

A quantidade de dados utilizados, embora plenamente compreensível (a ideia de formar a fortaleza com eles é genial) pode assustar em um primeiro momento quem não está habituado a jogos que usam grandes quantidades de dados. Minha primeira impressão é que ia precisar de rolagens muito complicadas, talvez fosse possível explicar melhor esse detalhamento no início (no melhor estilo “calma, você não vai rolar tudo isso de dados o tempo todo”)

1- O jogo é capaz de transmitir a experiência a que se propõe? As regras atuam no sentido de proporcionar a experiência proposta?

Plenamente e de forma muito coerente.

2- Quão completo é o jogo: o jogo enviado funciona sozinho, com todos os elementos para uma sessão de teste?

Sim. O jogo se basta de forma bastante funcional.

3- O jogo incorpora de maneira concreta e substancial os temas escolhidos?

Extremamente. Ele explora os temas, e gera aprofundamento. Eu sei que não foi escolhida uma meta de design, mas é um jogo que poderia fácil considerar que atinge a meta de trazer discussão/mudança social.

NOTA: 3


Avaliação por Stefan Plínio da Costa

1 – Sim, o jogo é muito feliz em transmitir sua experiência proposta, as regras apesar de conduzirem bem a jogabilidade, principalmente na parte de criação de personagem e mundos, onde o mesmo se destaca, as regras para resolução de conflitos são um pouco confusas, além de o número excessivo de dados dificulta a jogabilidade direta do mesmo.

2 – O jogo é completo sim, ele funciona sozinho, sem maiores detalhes ou problemas para uma sessão de teste, apesar dos problemas citados anteriormente, inclusive a proposta de interpretar um personagem não-humano em um contexto tribal é altamente imaginativa e imersiva.

3 – Sim, com certo destaque na introdução do jogo e de modo mais fluido na mecânica e criação de personagem/ cenário.

NOTA: 2


Avaliação por Juliana Almeida

NOTA: 3


 

Nota final do jogo O Guarda no Portão de Cezar Capacle: 2,66

About the author: Rafael Rocha

Rafael Rocha é sociólogo, um dos membros do coletivo/editora Secular, e um dos organizadores das primeiras edições do Laboratório de Jogos e Concurso Faça-Você-Mesmo de Criação de Jogos.

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