Avaliações – Mundos Caóticos de Guilherme Bufete Liberato

Avaliação por Vitor Pissaia

Avaliação em áudio

NOTA: 1


 

Avaliação por Camilo Soares

A frase para definir Mundos Caóticos é “O que vocês querem jogar hoje?”

Guilherme nos apresenta um jogo que se propõe a auxiliar jogadoras e jogadores a explorar sua criatividade, contando histórias rápidas que ocorrem em cenários o mais aleatórios e caóticos o possível;

A preparação e execução do jogo aparenta clara rapidez e simplicidade;

Capacidade de adaptação e criatividade são fundamentais para jogar;

Vou confessar que, em primeiro momento, achei que Mundos Caóticos seria uma versão jogável da cena do ​Gerador de Improbabilidade Infinita do filme ​O Guia do mochileiro das galáxias – e passou bem perto disso – se você ainda não teve oportunidade de ver esse filme, fica a recomendação (é baseado na obra de Douglas Adams);

A criação de mundos, personagens e dominância do caos estão muito bem explicados. O funcionamento do sistema de testes, as interferências da narrativa compartilhada e os papéis das/dos participantes estão bem definidos, detalhados e exemplificados;

Fiquei com uma leve dúvida sobre o equilíbrio mecânico das falhas dos testes – mas não é algo que atrapalhe ou caracterize o jogo como incompleto, é apenas uma sensação de que um jogador ou jogadora com muito azar teria seu ou sua personagem rapidamente inutilizado/a após alguns testes mal sucedidos – acredito que uma sessão de teste deve responder isso;

O caos realmente cola tudo!

Sendo a cor da roupa dos jogadores e jogadoras mais um dos agentes do caos para determinar a relação entre as/os personagens e formação/aprimoramento da identidade dos/das mesmas se dar ao longo das decisões certas e erradas na partida, resta a empatia (tomada como afinidade) para dar norte a parte da narrativa compartilhada – fechando o círculo, tornando tudo ainda mais imprevisível e complexo que simples validações em rolagens de dados;

O texto em relação a afinidade das/dos jogadoras/jogadores para resolução de conflitos poderia ser mais assertivo: sua afinidade com tais personagens determina o quão grande é seu interesse em ajudar ou atrapalhar a resolução de conflitos e busca de respostas das questões levantadas na sessão – apenas uma sugestão;

A meta de design implementada (os limites são tênues) é representada (menção direta) pela interferência/reflexo sugestivo do clima e tempo do mundo real no mundo de jogo – seja durante sua criação ou no decorrer da aventura, conforme sugestão do texto;

Infelizmente, a meta utilizada é tratado como mais uma sugestão. Ficando em segundo plano, ela se torna apenas mais um sabor na ambientação do cenário, podendo ser facilmente eliminada da mesa e substituída por decisões instantâneas do/a mestre/mestra ou uma tabela de referência – o que, por exemplo, já faz parte das opções para a ambientação do mundo de jogo;

Considerações: ​​Os três temas escolhidos (Cor, Empatia e Identidade) estão representados em Mundos Caóticos e, a princípio, se complementam de forma clara, restando pouco ou nenhum espaço para a meta alternativa implementada;

NOTA:​​ 1


Avaliação por Paulo Guerche, Diego Basinello, Gabriela Ramalho e Mateus Eustáquio

Obs. antes de tudo: o fundo das páginas é multicolorido e, de fato, caótico. Eu entendo as razões que levaram a pessoa a fazer isso, mas eu quase tive uma vertigem tentando ler, seria bacana pedir pro autor mudar este fundo para não alienar possíveis jogadores.

1. O jogo é capaz de transmitir a experiência a que se propõe? As regras atuam no sentido de proporcionar a experiência proposta?

O jogo se propõe a ser rápido e aleatório, chegando a se intitular “semi-genérico”. De fato, a criação de cenário e a criação de personagens parece rolar bem rapidamente. A resolução de conflitos é ao mesmo tempo simples e complicada, rolam-se vários d6, mas os traços da personagem podem adicionar ou subtrair dados da rolagem – ou fazer com que a rolagem não exista, como no caso dos extras.

A proposta é bacana, e eu gostei do jeito como o jogador narra seus sucessos enquanto os demais narram seus reveses, mas algumas das escolhas mecânicas podem aparecer como um complicador das relações entre o grupo. O autor traz nas regras que os personagens podem ser hostis uns com os outros e eu não sei até onde isso iria interferir negativamente nestas interações, deixando a dinâmica de jogo um pouco menos saudável entre o grupo.

2. Quão completo é o jogo: o jogo enviado funciona sozinho, com todos os elementos para uma sessão de teste?

Todas as tabelas necessárias estão ali e podem proporcionar um jogo simples, rápido e divertido. Minha única observação neste aspecto é que os d20 tem um único uso – que ainda por cima é opcional. Então pode ser bacana adaptar a tabela para usar 3d6 ou aumentá-la de vez e usar 2d6 como 1d66.

3. O jogo incorpora de maneira concreta e substancial os temas escolhidos?

A descrição do jogo não é clara a ponto de eu conseguir inferir quais temas foram utilizados. Talvez cor, mas isso integra mais o ponto das metas alternativas que o dos temas. Dito isso, as metas foram utilizadas de maneira bem compreensível, envolvendo a cor da roupa dos personagens e a condição climática durante o jogo.

NOTA: 1


Nota final do jogo Mundos Caóticos de Guilherme Bufete Liberato: 1

 

About the author: Rafael Rocha

Rafael Rocha é sociólogo, um dos membros do coletivo/editora Secular, e um dos organizadores das primeiras edições do Laboratório de Jogos e Concurso Faça-Você-Mesmo de Criação de Jogos.

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