Avaliações – Matiz de Marcio Moreira

Um jogo semi-cooperativo de contar histórias, onde os participantes, munidos de objetivos ocultos, interpretam contra-partes de um único personagem em conflito de IDENTIDADE. Matiz é inspirado em psicologia das CORES, e sua mecânica utiliza as cartas “daquele velho jogo” com números e cores.

Avaliações da Fase 2

Avaliação por Livia Von Sucro

  • O jogo é capaz de transmitir a experiência a que se propõe? As regras atuam no sentido de proporcionar a experiência proposta? A ideia do jogo é que cada jogador representa um conflito interno do protagonista da história que estão contando em conjunto, e a dinâmica entre essas forças conduzirá o destino deste personagem. As regras conseguem exprimir bem essa ideia de conflito de poder. Comento mais nas Considerações. (2.7 em 3.0)
  • Quão completo é o jogo: o jogo enviado funciona sozinho, com todos os elementos para uma sessão de teste? Sim, completo. Inclui até regras caso os jogadores não disponham do cardgame comercial que o autor explorou na mecânica. (3.0 em 3.0)
  • O jogo incorpora de maneira concreta e substancial os temas escolhidos? Sim, e o autor se preocupou em fazê-lo de modo mais complexo, incorporando vários significados além do literal (2.7 em 3.0)
    1. Se a autora optou por usar uma das metas alternativas de design, ela conseguiu executá-la satisfatoriamente? A ideia de usar um jogo consagrado de cartas conseguiu exprimir bem a meta alternativa

A pitada de competitividade torna o jogo bem interessante. As forças sobre o Protagonista (o sujeito sobre quem os jogadores contam a história) acabam tendo de encontrar algum equilíbrio, e nisto sempre algo se perde, como na construção da identidade de qualquer pessoa. Escolher uma coisa é acabar rejeitando outra, e assim nosso próprio destino vai tomando forma. O jogo consegue trabalhar bem esta ideia, sempre buscando alguma sofisticação e não apenas o teor literal das metas propostas.

Entretanto, apesar de ser um jogo de forte viés psicológico, as regras impõem bastante randomização, e imagino que talvez possa ser frustrante elaborar um “plano” para o Protagonista e acabar sem conseguir coloca-lo em prática por repetidamente falhar em conseguir a carta certa no momento certo da rodada. O autor dá muitas dicas sobre possíveis problemas no decorrer da história, mas acho que é preciso incorporar esse tipo de coisa às regras. Talvez isto possa ser levado em conta em uma próxima versão. Sem a limitação da meta alternativa creio que é possível resolver a questão mais facilmente, talvez até com um baralho próprio para o jogo (recomendo pelo fluff, hehe). Quero muito ver mais desse jogo!

NOTA: 2.8


Avaliação por Seculares

  • O jogo é capaz de transmitir a experiência a que se propõe? As regras atuam no
    sentido de proporcionar a experiência proposta?

O jogo representa bem a ideia de conflito de identidades pelo uso das cartas coloridas, que vão alterando o resultado ao longo do jogo, e pelo controle compartilhado, porém não cooperativo do personagem principal, gerando uma história na qual você percebe os conflitos e mudanças de ideias. A criação coletiva do contexto da história e do protagonista compartilhado é muito bem amarrada!

  • Quão completo é o jogo: o jogo enviado funciona sozinho, com todos os
    elementos para uma sessão de teste?

O jogo é bem completo, e possui todas as regras para ser jogado, com um começo, meio e fim bem definidos. Os conflitos podem ser muito diferentes, pois o cenário não é definido, mas sim o tipo de história que vai ser contada, permitindo partidas muito diferentes com o uso da mesma mecânica.

  • O jogo incorpora de maneira concreta e substancial os temas escolhidos?

A identidade é muito bem representada pela mecânica central do jogo, assim como as cores, que identificam para que lado que o personagem e sua história vão, modificando o cenário e permitindo que os jogadores façam sua amigável disputa pelo controle narrativo. A meta de design foi muito bem aplicada ao transformar o baralho do UNO em um novo jogo, muito mais complexo, mas com várias de suas características originais!

NOTA: 3.0

Nota final do jogo Matiz de Marcio Moreira – Fase 2: 2.90


 

Avaliações da Fase 1

Avaliação por Guilherme Duarte Rodrigues

A ideia de utilizar o Uno é bastante boa, e eu gostei bastante da integração com os temas.

Mas acho que as modificações propostas interferem em excesso em um jogo de Uno. Isso não é de maneira alguma algo ruim, e achei o jogo bem completo e jogável. Apenas que talvez mas com a ambição de “nunca jogar Uno da mesma maneira”, isso deveria ser evitado para atingir o público mais regular de Uno e não de jogos narrativos.

Identifiquei dois pontos principais para o jogo se aproximar mais do público de uno, e foram a “tabela” e o “ritmo”.

A “tabela de matizes” lembra bastante o jogo “Fiasco”, e esse jogo talvez possa servir de base caso queira seguir o desenvolvimento para uma linha mais narrativa. Mas caso o objetivo ainda seja de pegar o público do Uno, eu eliminaria a tabela.

No quesito “ritmo”, Uno é um jogo frenético que não depende de muito preparo. É o que os jogadores esperam. Para tornar o jogo mais frenético eu mudaria um pouco a estrutura de cenas. Manteria a mudança de Narrador e jogador dinâmica dentro de todas as Cenas, e permitiria cada jogador adicionar um pensamento na sua vez. A cor definiria qual jogador poderia adicionar uma ação ao jogador, e o narrador poderia adicionar um evento a cada ação.

Pode ser que isso torne o jogo muito fragmentado, só com playtests para saber. Mas eu gostaria de ver ambas versões rodando.

Espero que passe pra próxima fase, estou torcendo!

NOTA: 3


Avaliação por Vitor Pissaia

Avaliação:

NOTA: 3


 

Avaliação por Jefferson Miranda Pimentel

“Um jogo semi-cooperativo de contar histórias, onde os participantes, munidos de objetivos ocultos, interpretam contrapartes de um único personagem em conflito de IDENTIDADE. Matiz é inspirado em psicologia das CORES, e sua mecânica utiliza as cartas “daquele velho jogo” com números e cores”.

1 – O jogo é capaz de transmitir a experiência a que se propõe? As regras atuam no sentido de proporcionar a experiência proposta?

Assim que visto, o jogo logo remete à animação “Divertida Mente” e funciona relativamente bem. Entendo que o autor poderia utilizar um elemento forte (o baralho de UNO) para simular uma narrativa linear em partes, onde cada jogador que combinasse “cor” desse continuidade a emoção posta, enquanto a combinação “número” desse continuidade a ação. Já uma interrupção (o próximo jogador não possui a carta necessária para continuar) seria um problema grave gerado e que deveria ser proposto por ele e resolvido pelo próximo.

Seria interessante que o jogo possuísse a duração do baralho de UNO, obrigando aos jogadores a iniciarem os desfechos finais e encerrarem o trecho da história da personagem ao mesmo tempo.

Entendo que estas adequações tornariam o jogo mais simples, dinâmico e com um potencial resolutivo mais afinado.

2 – Quão completo é o jogo: o jogo enviado funciona sozinho, com todos os elementos para uma sessão de teste?

O jogo funciona demanda de poucos elementos além do manual básico, todos de fácil obtenção. O criador do jogo propõe uma série de possíveis substituições que tornam ainda mais fácil viabilizar a sessão de teste.

3 – O jogo incorpora de maneira concreta e substancial os temas escolhidos? Se o autor optou por usar uma meta alternativa de design, ele conseguiu executá-la satisfatoriamente?

O jogo foi desenvolvido sobre apenas dois temas (Cor e Identidade) e desenvolve bem seu trabalho, mesmo sem atender a regra de no mínimo três temas. Não existe uma meta de design clara utilizada.

NOTA: 2


Nota final do jogo Matiz de Marcio Moreira: 2,66

About the author: Rafael Rocha

Rafael Rocha é sociólogo, um dos membros do coletivo/editora Secular, e um dos organizadores das primeiras edições do Laboratório de Jogos e Concurso Faça-Você-Mesmo de Criação de Jogos.

Leave a Reply

Your email address will not be published.