Avaliações – Justiça por Fernando Muniz Erthal

Avaliação por Livia von Sucro

  • O jogo é capaz de transmitir a experiência a que se propõe? As regras atuam no sentido de proporcionar a experiência proposta?

O jogo não me parece completo. A ideia é acusar/defender um réu no tribunal, mas as regras disponibilizadas não são suficientes para isto. Parecem focar mais num sistema que atribui pontos a pistas (sem esclarecer bem o que seriam estas pistas). Mas a ideia geral caminha neste sentido. Gostei da possibilidade de jogar com dois times, um de defesa e outro de acusação, de modo competitivo. Mas isso é quase que uma sugestão, não há suporte em regra.

  • Quão completo é o jogo: o jogo enviado funciona sozinho, com todos os elementos para uma sessão de teste?

Não, o jogo não está completo.

  • O jogo incorpora de maneira concreta e substancial os temas escolhidos?

O jogo se propõe a incorporar Cor e Privilégio. “Cor” aparece na mecânica de rolagem de ações. Cada lado de um d6 corresponde a uma cor, que equivale a um nível de sucesso (exemplo: Verde equivale a sucesso absoluto. Azul equivale a possibilidade de barganhar para um sucesso, e assim por diante). Gostei dessa ideia, mas creio que o autor a complica desnecessariamente acrescentando valores. A abordagem qualitativa me parece mais apropriada para um julgamento, que requer um convencimento por meio da argumentação, e não baseado em valores fixos aleatórios.

“Privilégio” aparece na mecânica que confere poderes especiais às “classes” do jogo, que são as profissões envolvidas no processo de julgamento (Exemplo: advogados podem convocar testemunhas; policiais podem usar armas). Em resumo, achei o uso de Cor um pouco mais sofisticado que o de Privilégio, mas os temas estão presentes no jogo enviado.

  • Se a autora optou por usar uma das metas alternativas de design, ela conseguiu executá-la satisfatoriamente?

A meta escolhida foi “redução de desigualdades”, mas ela é apenas citada como uma possibilidade dentro do jogo, sem aparecer como um componente do design. Resumo: A parte mecânica não conversa bem com a ideia geral do jogo. O que prometia ser uma disputa retórica de tribunal entrega uma ficha com longa lista de perícias que inclui “escalar” e “pulo”, uma enorme carga de preparação para o mestre (que deve pensar em 100 pontos de pistas – únicas? Já pensou criar 100 pistas diferentes para cada grupo?), e um sistema que subestima sua parte mais criativa (as cores).

Minha sugestão: focar na ideia de uma mecânica qualitativa, transformar a criação de pistas em parte do processo do jogo em si e não apenas tarefa do mestre (a própria mecânica de cores poderia ajudar nisso: o advogado poderia “barganhar” para sua testemunha trazer a pista “correta”, por exemplo). Incorporar melhor a meta de redução de desigualdades.

Apesar destes problemas, gostei da ideia central do jogo, e achei que o autor segue um caminho interessante, só precisa de mais tempo para concatenar melhor as coisas para possibilitar um playtest.

NOTA: 1,8


 Avaliação por Natan Ramos

O jogo é capaz de transmitir a experiência a que se propõe?  As regras atuam no sentido de proporcionar a experiência proposta? SIM

Quão completo é o jogo: o jogo enviado funciona sozinho, com todos os elementos para uma sessão de teste? TALVEZ.

O jogo incorpora de maneira concreta e substancial os temas escolhidos?  SIM

Se a autora optou por usar uma das metas alternativas de design, ela conseguiu executá-la satisfatoriamente? SIM

Quanto aos temas e a meta-design escolhida para o jogo, está impecável, utilizou muito bem os três, o que é muito bom, mas ao mesmo tempo me parece algo “tendencioso” (não sei bem se é essa a palavra certa, desculpa), mas ficou parecendo que ele criou um jogo para esses três temas e acabou focando demais em engessar o jogo nisso, porque ao restante ficou meio confuso, em relação a regras e andamento do jogo, mas creio que foi pelo fato de que ele teve que reduzir o jogo a 5000 palavras como ele mesmo disse que fez para o concurso.

NOTA: 2


Avaliação por Cezar Capacle

 

NOTA: 1


 

Nota final do jogo Justiça por Fernando Muniz Erthal: 1,6

About the author: Rafael Rocha

Rafael Rocha é sociólogo, um dos membros do coletivo/editora Secular, e um dos organizadores das primeiras edições do Laboratório de Jogos e Concurso Faça-Você-Mesmo de Criação de Jogos.

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