Avaliações – Éclat por David Dornelles Santana de Melo e Maria Eduarda Rocha Magalhães

Avaliação por Tarcísio Lucas

1. O jogo é capaz de transmitir a experiência a que se propõe? As regras atuam no sentido de proporcionar a experiência proposta?

Em partes; há muito potencial, que acredito ter sido limitado pelo tamanho do texto. Algumas páginas a mais, e tudo estaria perfeito.

2. Quão completo é o jogo: o jogo enviado funciona sozinho, com todos os elementos para uma sessão de teste?

Em partes; eu acredito que as regras poderiam ser explicadas mais claramente, e organizadas de forma a ficar mais explícito como funcionam.

3. O jogo incorpora de maneira concreta e substancial os temas escolhidos? o Se a autora optou por usar uma das metas alternativas de design, ela conseguiu executá-la satisfatoriamente?

Na maior parte do jogo, sim. Como disse anteriormente, acredito que um pouco
mais de desenvolvimento do conceito do jogo solucionaria facilmente isso.

NOTA: 1


 

Avaliação por Diego Barreto Azevedo

O jogo é muito interessante, com um cenário bem explicado e com referências implícitas em suas linhas introdutórias. É também parte da consagrada apocalypse engine de forma curiosa. Curiosa pois é evidente que se trata de um jogo na engine, mas não se trata de um hack e sim de um jogo novo, o que é ótimo!

O jogo tem mecânicas e regras que casam muito bem com a experiência proposta, inclusive com um jogo de palavras bem peculiar que mistura ficção e regras.

O jogo aparenta estar perfeito, executável e pronto para ser jogado e publicado. Eu sinceramente desejo boa sorte na publicação aos autores. Só senti falta de máscaras imprimiveis. Pensa só que legal seria jogar com as mascaras de cada grupo…

O problema aqui ficou para os temas. Tenho a impressão que foram minimamente contemplados. Tem algo de cor ali e também de Fortaleza, mas eu simplesmente estou adivinhando, pois o texto não apresenta os temas do jogo. :(

NOTA: 2


 

Avaliação por Raul Fontoura

PRIMEIRA IMPRESSÃO

O design limpo e simples do formato do jogo me caiu muito bem; me deu a sensação que tenho jogando jogos de fantasia indie para computador, como The Yawhg. O selo de Powered by The Apocalypse também me deixou empolgado logo de cara, pois sou desses. A ideia de uma fortaleza no extremo fim da civilização me lembrou um pouco de um dos cenários de Girl by Moonlight (vale conferir para inspiração).

PONTOS DE ANÁLISE

1. O jogo é capaz de transmitir a experiência a que se propõe? As regras atuam no sentido de proporcionar a experiência proposta?

O jogo é construído como um PBTA, então já traz os altos e baixos narrativos com suas rolagens de 10+, 7-9 e 6-. A partir do estabelecimento do cenário, com A Elite ficando enclausurada em Éclat até ser mandada em missão, a Mestra é encorajada a “Fazer de Éclat uma fortaleza melancólica e sombria”. Acho que a partir dessa fundação já se desenha a intenção das desenvolvedoras.

Senti um pouco de falta de ver uma estruturação mais específica de jogo, talvez através de movimentos periféricos que lidassem com os momentos de treinamento ou as missões. Mais importante: gostaria de ver como esse jogo ​termina.

Seria possível desenhar uma experiência mais diretamente próxima do texto da apresentação, mas isso parece apropriado para desenvolvimento pós-concurso.

2. Quão completo é o jogo: o jogo enviado funciona sozinho, com todos os elementos para uma sessão de teste?

Me parece que o jogo já funciona com o que ele apresenta, como vários jogos da mesma família funcionam de forma mais simples. Com a Agenda e os Princípios, mas principalmente, com as regras da Mestra para Impulso e Consequência, há aqui o suficiente para alguém familiarizado com um RPG qualquer conseguir jogar. Importante dizer que os Princípios e Movimentos da MC precisam de um pouco mais de explicação para fazer sentido completo para quem nunca jogou um PBTA.

Dado que o jogo não apresenta a mecânica de Frentes diretamente atrelada no texto (ao menos por enquanto), um pouco de “algoritmização” das missões da Elite (como falei na questão anterior) talvez fosse criar mais o clima descrito na apresentação. Mas nada disso arruína as bases que o jogo já apresenta.

3. O jogo incorpora de maneira concreta e substancial os temas escolhidos? Se a autora optou por usar uma das metas alternativas de design, ela conseguiu executá-la satisfatoriamente?

Os temas escolhidos pelas desenvolvedoras foram ​Fortaleza, Cor​​ e ​Identidade​​. Com as personagens agindo diretamente de uma Fortaleza em direção ao inexplorado, suas Identidades são expressas e interagem com as das outras personagens através das Cores que compõem suas Características.

Não só as Cores são ligadas assim à identidade, como também ao sistema de recompensa do jogo, e ao modo como as personagens agem juntas. Os valores das Características remetem imediatamente a traços das suas identidades, e são testadas para quando não se sabe o andamento da história.

Assim, acredito que todos os temas estão bem amarrados ao jogo.

SUGESTÕES PESSOAIS

Acredito que esse jogo tem potencial inexplorado no sistema de recompensas das cores.
Talvez a implementação de movimentos de intimidade (como os movimentos de Drama em Sombras Urbanas) ou um movimento que lida especificamente com as interações de descanso entre as personagens possa fazer com que a questão dos prismas venha mais à tona.

Como disse antes, uma estruturação mais direta das missões (seja em formato de movimentos, seja nos planejamentos da Mestra) e do tempo de descanso também poderia direcionar mais diretamente o grupo para a experiência pensada pelas desenvolvedoras.

Especialmente levando em conta os mistérios da floresta, talvez fosse interessante tenta explicitar onde o jogo termina, ou onde uma temporada do jogo termina. É possível ver influência de Monsterhearts no texto, então acredito que as desenvolvedoras possam dar cabo dessas questões com tranquilidade no futuro.

NOTA: 3

Um jogo esteticamente charmoso, com um sistema de recompensas bem interessante, e potencial para crescer ainda mais.


Nota final do jogo Éclat por David Dornelles Santana de Melo e Maria Eduarda Rocha Magalhães:  2

About the author: Rafael Rocha

Rafael Rocha é sociólogo, um dos membros do coletivo/editora Secular, e um dos organizadores das primeiras edições do Laboratório de Jogos e Concurso Faça-Você-Mesmo de Criação de Jogos.

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