Avaliações – Blackout por Marcos Roberto Rodrigues

Avaliação por Guilherme Korn

Começo dizendo que avaliar Blackout foi uma agradável surpresa.

Muitos não sabem, mas eu trabalho lecionando Game Design faz 2 anos, e uma das coisas que a gente mais aborda são jogos de tabuleiro. E, Blackout, é lindo. Não posso dizer que é perfeito, mas sim que é lindo.

Eu adorei a forma como o criador, Marcos, amarrou alguns de seus temas.

Essencialmente, o jogo é baseado em mecânicas de gestão de recursos, com uma doom track implacável baseada nisso, também.

Empatia se tornou uma parte extremamente importante da mecânica, um recurso extremamente importante para os jogadores controlarem. Não dá pra sentir, como na maior parte dos jogos narrativos tradicionais, uma presença disso dentro dos personagens, mas deixo claro que isso é proposital para o jogo: ele não trabalha com personagens. E isso é parte da magia do jogo.

Cor é abordado, também, intrinsecamente na mecânica. Cada recurso é definido por sua cor, então, dizer que o tema não foi abordado dentro do jogo, seria um erro grave da minha parte. Está lá, e está lá de forma explícita.

Fortaleza, entretanto, foi o elemento que menos observei. Não porque não estivesse lá, mas porque ficou bem mais subjetivo. A fortaleza construída por eventos marcantes, entretanto, foi uma sacada muito boa.

Vou ser direto em meus pensamentos acerca do jogo.

Como pontos positivos:

É um modelo diferente dos jogos narrativos que estamos acostumados a ver. Usando dinâmicas (e mecânicas, obviamente) típicas de boardgame, ele é capaz de impulsionar a narrativa para seguir o caminho necessário, e entregar a experiência proposta – pelo que pude perceber ao ler.

A narrativa ser compartilhada, sem a presença de um único narrador, é um ponto extremamente positivo para o jogo. Dá a chance de todos controlarem e descreverem os eventos anunciados pelas cartas.

Como pontos negativos:

A organização do livro. O livro me pareceu bem confuso ao ler. Acho que se mudasse a organização, ficaria muito, muito mais fácil de entender o que é proposto. Uma dica ao autor seria já explicar como as rodadas funcionam, no começo, e depois partir para o específico, situando assim seu público em como as mecânicas e dinâmicas do jogo funcionam.

Jogo Narrativo. Apesar de sentir que as mecânicas impulsionam a narrativa do jogo, eu não sinto que ela seja um pilar do jogo. Ele funcionaria 100% bem sem ela, todas as mecânicas e dinâmicas não dependem dela, pelo que compreendi.

Respondendo as perguntas:

  1. O jogo é capaz de transmitir a experiência a que se propõe? As regras atuam no sentido de proporcionar a experiência proposta? Sim, sem dúvidas, se levarmos em conta que narrativa é algo essencialmente opcional ao jogo.
  2. Quão completo é o jogo: o jogo enviado funciona sozinho, com todos os elementos para uma sessão de teste? Acredito que sim, apesar dos elementos físicos do jogo, sua tecnologia, ser extremamente rebuscada.
  3. O jogo incorpora de maneira concreta e substancial os temas escolhidos? Com certeza, não há o que discordar disso. Todos os temas estão bem colocados dentro da mecânica. Mas, reitero: vejo a narrativa como algo opcional ao jogo e não fundamental.

Com essas ponderações, encerro minha avaliação. E digo que, apesar das três respostas terem sido positivas, a proposta do concurso era a criação de um jogo narrativo (me corrijam se eu estiver errado), e, com a narrativa como elemento opcional, eu precisei remover um ponto da nota máxima.

NOTA: 2


Avaliação por Jefferson Miranda Pimentel

“Trata-se de um RPG com elementos de board game, sobre um grupo de sobreviventes que estão refugiados num abrigo. Ocorreu um tremendo blackout, nenhum aparelho eletrônico funciona, e o dia não voltou a nascer. Para piorar, algo os espreita, uma entidade que desafia nossa racionalidade, chamada de Escuridão.”

1 – O jogo é capaz de transmitir a experiência a que se propõe? As regras atuam no sentido de proporcionar a experiência proposta?

Mesmo não se tratando de um jogo de interpretação de papéis, Blackout busca desenvolver o trabalho em equipe e a busca por resolver problemas de uma forma eficiente. Possui um belíssimo desenvolvimento de componentes e regras claras e funcionais.

Como sugestão para aprimorá-lo, desenvolveria mais contos buscando transmitir ao leitor o desespero e as dificuldades desenvolvidas durante os eventos, bem como um design mais sinistro para o manual.

2 – Quão completo é o jogo: o jogo enviado funciona sozinho, com todos os elementos para uma sessão de teste?

O jogo demanda de muitos componentes para uma sessão de teste, mas todos se encontram devidamente descritos e seu funcionamento explicado. Carece de gastos extras para produção, além do manual do jogo.

Como funciona principalmente como board game, carece de elementos aleatórios como cartas de eventos e outros aspectos do jogo. Deixar a cargo dos jogadores simular as dificuldades pode criar um desbalanceamento que torna o jogo desequilibrado.

3 – O jogo incorpora de maneira concreta e substancial os temas escolhidos? Se o autor optou por usar uma meta alternativa de design, ele conseguiu executá-la satisfatoriamente?

Os temas são bem definidos e incorporados, mas ao contrário do disposto o jogo é um board game com leves nuances de RPG, sendo incompleto como ambos. Como board, ele não possui diversos elementos necessários para o funcionamento objetivo e equilibrado do jogo, como cartas de eventos, maior diversidade de conquistas, cartas de riscos (ou eventos diretamente ligados a riscos). Já como RPG, poucas escolhas não são mecânicas ou aleatórias dentro de um universo limitado de poucas opções.

Entendo que o jogo poderia ser direcionado exclusivamente a uma finalidade, de preferência o board game, seu maior potencial. A inserção de personagens com características diversas, liberdade de ações em um mapa mesmo que limitado, mecânicas como a de “traidor” ou “votação” ou escolhas morais pesadas tornariam a experiência de interpretação de papéis mais forte.

NOTA: 2


Avaliação por Daniel Violato

Vídeos de playtest e avaliação

NOTA: 3


Nota final do jogo Blackout por Marcos Roberto Rodrigues:  2,33

 

 

About the author: Rafael Rocha

Rafael Rocha é sociólogo, um dos membros do coletivo/editora Secular, e um dos organizadores das primeiras edições do Laboratório de Jogos e Concurso Faça-Você-Mesmo de Criação de Jogos.

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