Avaliações – Assassinato no Expresso Vendetta por Tarcisio Lucas

Avaliação por Camilo Soares

Eu sempre quis ser um ​Xeróque Rolmes e Assassinato no Expresso Vendetta tem o
poder proporcionar essa experiência;

Fiquei curioso após ler a descrição do jogo, imaginando: como um jogo com limite de palavras vai cumprir a promessa de ser um “faça sua própria aventura”/”livro-jogo” de infinitas possibilidades?

A solução apresentada por Tarcísio foi uma bela (e simples) sacada: invente seu próprio caminho, pois, o conteúdo é criado por você, jogadora ou jogador!

Jogo de texto curto e objetivo, com mecânicas simples e muito bem elucidadas, as quais podem provar que a culpa não é necessariamente do mordomo! Fácil de entender, fácil de se aventurar;

Tendo como objetivo principal de quem o joga, investigar e revelar a ​Identidade da autoria de um crime ocorrido em um local volátil e cheio de tensões entre distintas classes sociais, os ​Privilégios de personagem (ou ausência deles) determinam diretamente sua margem de sucesso nessa tarefa. A presença das ​Cores está um pouco apagada (trocadalho do carilho), elas são – inicialmente – sua única pista da/do culpada/culpado mas ainda assim agem como uma resolução chave em suas investigações – poderia ser avaliada
ainda mais presença mecanica e narrativa delas (sugestão);

Os limites são tênues e prévia mente definidos. O tempo, o local, as roupas e objetos próximos à pessoa que está jogando tendem a influenciar o todo através de modificadores e atuadores em testes:

“O local real onde você joga também influenciará grandemente na sua investigação, e consequentemente, nas suas rolagens de dado.”

Considerações: ​​Sente-se a falta de uma importância mais incisiva dos limites listados no texto, pois eles – na forma como estão descritos na obra – acabam sendo apenas modificadores (ou influenciadores) para os testes – os quais já são diretamente afetados pelo tema ​Privilégio -, os testes já funcionam sem a meta de design assim como todas as
outras mecânicas do jogo;

NOTA: 1


Avaliação por Juliana Almeida

NOTA: 2,8


Avaliação por Márcio Moreira

  • O jogo é capaz de transmitir a experiência a que se propõe? As regras atuam no sentido de proporcionar a experiência proposta?

Não ficou muito claro para mim, a experiência central do jogo. Em compensação, há várias experiências ali que são muito atraentes, interessantes e inovadoras. No entanto, as regras parecem mais voltadas para se fazer um jogo solo, do que um jogo de investigação. Uma regra que acerta nisso que estou falando, é a regra de eliminação de suspeitos. Mas apenas ser um sorteio, e ser justificado na história só depois, a saída daquele personagem, é um pouco frustrante.

NOTA desse QUESITO: 0,7

  • Quão completo é o jogo: o jogo enviado funciona sozinho, com todos os elementos para uma sessão de teste?

O jogo funciona tão bem sozinho que foi feito para se jogar sozinho (piadoca). Nesse quesito o jogo é perfeito e acessível. Fiquei com vontade de jogar logo em seguida. Mas tem duas coisas que poderiam ser acrescentadas para se aumentar a rejogabilidade dele.

1) modos de jogo, fazendo do modo solo apenas mais um modo;

2) vários cenários. O expresso poderia ser representado como um cruzeiro, uma nave espacial, uma festa em um arranha-céu, etc.

Esse ultimo ponto pode ser adaptado, mas o primeiro, com certeza, precisaria de mais trabalho para a sua adequação.

NOTA desse QUESITO: 1,0

  • O jogo incorpora de maneira concreta e substancial os temas escolhidos? Se a autora optou por usar uma das metas alternativas de design, ela conseguiu executá-la satisfatoriamente?

O jogo consegue incorporar a temática de “IDENTIDADE”, pois histórias de investigação naturalmente têm esse apelo. A temática de “DESIGUALDADE” parece forçada a uma primeira vista, mas combina bem com o cenário original que inspirou o jogo, o romance de Agatha Christie que é brilhantemente e rapidamente citado e homenageado no início do texto. Mas a temática “CORES” foi usada apenas para identificar em sorteio de tirinhas de papel (poderia ser usado qualquer outro identificador) e a meta de design “OS LIMITES SÃO TÊNUES” não foi sentido.

NOTA desse QUESITO: 0,7

NOTA: 2


Nota final do jogo Assassinato no Expresso Vendetta por Tarcisio Lucas:  1,93

About the author: Rafael Rocha

Rafael Rocha é sociólogo, um dos membros do coletivo/editora Secular, e um dos organizadores das primeiras edições do Laboratório de Jogos e Concurso Faça-Você-Mesmo de Criação de Jogos.

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