Avaliações – 7 Dias por Guilherme Duarte Rodrigues

Uma chance de debater assuntos difíceis com mecânicas fáceis. Um “Quem sou eu?” do privilégio. Uma maneira de discutir o que mudaríamos no mundo.

Avaliações da Fase 2

Avaliação por Cecília Reis

  1. O jogo é capaz de transmitir a experiência a que se propõe? As regras atuam no sentido de proporcionar a experiência proposta? Não
  2. Quão completo é o jogo: o jogo enviado funciona sozinho, com todos os elementos para uma sessão de teste? Sim
  3. O jogo incorpora de maneira concreta e substancial os temas escolhidos? Sim
    1. Se a autora optou por usar uma das metas alternativas de design, ela conseguiu executá-la satisfatoriamente? Sim

Documento claro, fácil de ler e compreensível.

Eu gosto da ideia da mecânica de bagagens e gosto da ideia de definirem conceitos da nova existência, mas não acho que as duas estejam bem integradas nesse momento. Ambas são coisas distintas que não funcionam na contação da história da criação do novo mundo – o peso da bagagem não parece realmente atrapalhar a definição de nada, exceto pelo fato de bloquear o fim do jogo, talvez porque isso fique a cargo da interpretação dos jogadores. Eu colocaria mecânicas mais pesadas para cada bagagem, talvez?

E por que apenas descobrir a bagagem significa que ela foi resolvida? Parece um final muito simples  para uma questão séria – ter noção da diferença de privilégios não significa seu fim automático.

Nota: 2


Avaliação por Seculares

  1. O jogo é capaz de transmitir a experiência a que se propõe? As regras atuam no sentido de proporcionar a experiência proposta? Não (1.0 em 3.0)
  2. Quão completo é o jogo: o jogo enviado funciona sozinho, com todos os elementos para uma sessão de teste? Sim (1.5 em 3.0)
  3. O jogo incorpora de maneira concreta e substancial os temas escolhidos? Parcialmente  (2.0 em 3.0)
    1. Se a autora optou por usar uma das metas alternativas de design, ela conseguiu executá-la satisfatoriamente? Sim

7 Dias é um experimento interessante, cuja proposta é propiciar “uma chance de debater assuntos difíceis com mecânicas fáceis”. O jogo se baseia na estrutura da brincadeira do “quem sou eu” (aquela que cola uma carta na testa e a pessoa tem que adivinhar o que ela é), sem grandes adaptações. Na verdade tivemos dificuldade em entender 7 Dias como um jogo narrativo, parecendo mais um jogo de perguntas difíceis sobre questões centrais à humanidade, mas sem necessariamente uma trama narrativa emergente. Ao menos o sistema de regras não faz isso…

Além da meta “Tipo isso mas diferente”, 7 Dias usa os temas Galáxia e Privilégio. O segundo é muito bem representado na mecânica de bagagens, mas a Galáxia não aparece, apenas como um pano de fundo forçando um pouco a barra.

No final das contas essa versão de 7 Dias é provocativa, com boas sacadas, mas sem estrutura, se aproximando de uma dinâmica do que efetivamente de um jogo narrativo, que seria a proposta aqui.

Nota: 1.5

Nota final do jogo 7 Dias por Guilherme Duarte Rodrigues – Fase 2:  1.75


 

Avaliações da Fase 1

Avaliação por Janine Appel

  1. O jogo é capaz de transmitir a experiência a que se propõe? As regras atuam no sentido de proporcionar a experiência proposta?

A experiência proposta pelo autor é uma resposta à pergunta lançada no subtítulo: “Ao criar um mundo, como você o tornaria melhor?”. Parece que, nesse sentido, a mecânica do jogo não proporciona isso de fato aos jogadores. As perguntas sugeridas proporcionam uma reflexão acerca do mundo que temos, mas não consegui visualizar em que momento determinado do jogo se dá essa criação de um novo mundo. As regras são um pouco rasas, ao meu ver, pois deixam o jogo um pouco “solto” demais, e para quem não é “Iniciado” fica difícil de absorver a idéia e fazer fluir. Talvez uma planilha fechada de bagagens e perguntas, por exemplo, ajudasse. A idéia das micro-agressões – bagagens – ou “privilégios ao contrário” é muito boa, usar a mecânica do “quem eu sou” realmente é uma idéia muito simples, mas que sempre funciona e faz com que os jogadores interajam. Boa sacada!

Nota: 1

  1. Quão completo é o jogo: o jogo enviado funciona sozinho, com todos os elementos para uma sessão de teste?

A idéia seqüencial do jogo é facilmente apreensível – tem começo, meio e fim. Mas a fragilidade das regras torna um pouco difícil de pensar uma sessão teste. Talvez com mais tempo de reelaborá-las funcione bem.

Nota: 2

  1. O jogo incorpora de maneira concreta e substancial os temas escolhidos? Se a autora optou por usar uma das metas alternativas de design, ela conseguiu executá-la satisfatoriamente?

O tema “Galáxia” parece que não ficou intrínseco na experiência do jogo. O tema “Privilégio” acrescido da meta “tipo isso mas diferente”, resultando no privilégio invertido e na dinâmica do “quem sou eu” foi uma baita idéia! Funcionou bem!

Nota: 2

NOTA:  1,66


 

Avaliação por David Dornelles e Maria Eduarda Rocha Magalhães

O jogo trás a experiência proposta de forma descontraída e incentiva o diálogo. As regras são simples e claras.  O jogo funciona bem, simples e conciso. Trás tudo que é necessário sem rodeios. Os temas (Galáxia e Privilégio) são explícitos e bem utilizados e a meta de design “tipo isso, mas diferente” que trouxe uma nova cara ao clássico “Quem sou eu?”, jogo de perguntas com respostas sim ou não para desvendar um mistério, foi bem aplicada. 7 dias de fato nos coloca numa espécie de tribunal e nos exige certo grau de responsabilidade. Vejo-o como um exercício de empatia e uma ferramenta para criação de cenários.

NOTA: 2


 

Avaliação por Caue Reigota, Francisco Alves e Tadeu Rodrigues

  • O jogo é capaz de transmitir a experiência a que se propõe? As regras atuam no sentido de proporcionar a experiência proposta?

Certamente! As regras conversam com a proposta, e a impressão de que a leitura do jogo passa é de que a experiência que suas regras abordam é exatamente a experiência proposta pelo autor. Destaque também para a liberdade dada aos participantes, escolhendo ​Personas, ​Bagagens e ​Perguntas , sem pré-definições pelo autor.

  • Quão completo é o jogo: o jogo enviado funciona sozinho, com todos os elementos para uma sessão de teste?

De maneira geral, SIM! A redação (embora o autor se desculpe por um texto errático) é cristalina. A impressão que passa é que até mesmo uma pessoa que não esteja acostumada com jogos narrativos (de maneira abrangente, “jogos-menos-convencionais”) conseguiria aplicar ​7 dias sem dificuldades, para diferentes perfis de participantes. A única questão que parece mais confusa é sobre o processo de escolha de bagagens. Como escolher coletivamente sem a “vítima” da bagagem ficar sabendo?

  • O jogo incorpora de maneira concreta e substancial os temas escolhidos? Se a autora optou por usar uma das metas alternativas de design, ela conseguiu executá-la satisfatoriamente?

O jogo aborda de uma maneira muito significativa o tema ​Privilégio. A meta de design ​Tipo isso, mas diferente foi usada com maestria. A subversão do “quem sou eu?” pela “Bagagem”, ou seja, como os outros lidam comigo é muito interessante. Porém, o tema  Galáxia poderia ser melhor trabalhado, embora o próprio autor admita que o foco seja a Terra.
NOTA:​​ 3


 

Nota final do jogo 7 Dias por Guilherme Duarte Rodrigues:  2,22

About the author: Rafael Rocha

Rafael Rocha é sociólogo, um dos membros do coletivo/editora Secular, e um dos organizadores das primeiras edições do Laboratório de Jogos e Concurso Faça-Você-Mesmo de Criação de Jogos.

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